Panorama internacional

EUA pedem à China que ajude a conter ataques houthis no mar Vermelho, diz mídia

Pressão diplomática de Washington para que Pequim ajude no combate aos houthis iemenitas no mar Vermelho ainda não produziu resultados, dizem autoridades.
Sputnik
De acordo com o Financial Times (FT), os EUA pediram à China que exorte Teerã a controlar os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, que atacam navios comerciais no mar Vermelho, mas viram poucos sinais de ajuda de Pequim, segundo autoridades norte-americanas.
Segundo a apuração, as autoridades têm levantado a questão com os altos responsáveis chineses nos últimos três meses. Mas, apesar de esforços como os do conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, há poucas evidências de que a China tenha pressionado o Irã para conter os houthis, além dos apelos às "partes relevantes" para garantirem a passagem segura dos navios que navegam pelo mar Vermelho por parte do governo de Pequim.
A pressão diplomática sobre Pequim surge em um momento em que os EUA e os aliados, em especial o Reino Unido, continuam bombardeando posições houthis no Iêmen, em resposta a pelo menos 33 ataques houthis a navios comerciais que transitam pelo mar Vermelho desde meados de novembro.
Uma autoridade norte-americana não identificada disse ao FT que houve "alguns sinais" de envolvimento da China na questão, mas não de forma significativa.
O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, disse na terça-feira (23) que Washington "acolheria com satisfação um papel construtivo da China, usando a influência e o acesso que sabemos que eles têm [...] ajudaria a conter o fluxo de armas e munições para os houthis".
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Liu Jianchao, chefe do departamento internacional do Partido Comunista da China, que esteve em contato com funcionários norte-americanos sobre a questão, viajou ao Irã em dezembro, dias depois da cúpula bilateral entre o presidente Joe Biden e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, em São Francisco. Mas muito pouco ocorreu na parte de Pequim, segundo Washington.
O antigo especialista da CIA em China, Dennis Wilder, especialista da Universidade de Georgetown, disse ao FT que Pequim "trabalhou assiduamente" para cortejar as nações do Oriente Médio, incluindo o Irã, em busca de ganhos econômicos e geopolíticos. Mas ele disse que estaria "muito relutante em usar a sua influência limitada sobre a República Islâmica de uma forma que perceba os interesses avançados dos EUA sem benefício para a China".
Suzanne Maloney, chefe de estudos de política externa da Brookings Institution, disse que discutiu a questão com especialistas chineses e não detectou qualquer interesse sério em ajudar.
"Acho que eles calcularam [...] é que esta é uma crise que está atolando os EUA e os seus parceiros e que não teve um impacto significativo no transporte marítimo chinês", ponderou.
A embaixada chinesa nos EUA disse não ter detalhes das trocas com Liu, mas que a China está preocupada com a "escalada da tensão" no mar Vermelho. O porta-voz Liu Pengyu disse que isso serve os interesses comuns da comunidade internacional e que a China instou "as partes relevantes a desempenharem um papel construtivo e responsável na manutenção de um mar Vermelho seguro e estável".
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