Panorama internacional

'Padrões duplos': ONU não aceita emendas da Rússia ao projeto de resolução brasileiro sobre Gaza

O Conselho de Segurança da ONU não aprovou as alterações propostas pela Rússia ao projeto de resolução brasileiro sobre a situação em Israel e na Faixa de Gaza, recusando-se, entre outras coisas, a incluir no texto a condenação do ataque ao Hospital Batista al-Ahli, informa o correspondente da Sputnik.
Sputnik
O Brasil elaborou uma resolução condenando o "ataque terrorista do Hamas" de 7 de outubro. O documento pede o cancelamento da instrução israelense aos residentes de Gaza e aos representantes da Organização das Nações Unidas (ONU), para se deslocarem do norte para o sul da Faixa de Gaza.
O documento pede pausas humanitárias para garantir o acesso humanitário da equipe da ONU e de outras organizações humanitárias. Além disso, o projeto de resolução exige o cumprimento de todas as obrigações previstas pelo direito humanitário, inclusive a proteção de civis e da infraestrutura civil.
No entanto, o projeto brasileiro tem duas grandes deficiências: "A presença de linguagem condenando exclusivamente as ações do Hamas, mas não o bombardeio de Israel em Gaza, o que o torna político e desequilibrado, e a ausência de um apelo a um cessar-fogo imediato", disse anteriormente o primeiro vice-representante permanente da Rússia junto da ONU, Dmitry Polyansky.
A Rússia, portanto, introduziu duas emendas ao projeto de resolução: a condenação dos ataques terroristas em Gaza e a condenação do ataque ao Hospital Batista al-Ahli.
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Rússia critica resolução brasileira sobre Faixa de Gaza no Conselho de Segurança da ONU
Nesta quarta-feira (18), o Conselho de Segurança da ONU se recusou a incluir a condenação do ataque ao Hospital Batista al-Ahli, na Faixa de Gaza, no projeto de resolução do Brasil, informa correspondente da Sputnik.
"Acabamos de testemunhar mais uma demonstração de hipocrisia e de dois pesos e duas medidas por parte de nossos colegas americanos", afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Vasily Nebenzya.
Desde o início, os Estados Unidos não estavam realmente interessados na resolução e só esperavam "torcer o número de braços necessários" para que o projeto de resolução não fosse aprovado sem seu veto. Como isso acabou falhando, eles tiveram que aparecer diante de todos nós sem máscaras, acrescentou Vasily Nebenzya.
"A resolução do Brasil não ajudará a evitar a repetição da tragédia na zona de conflito israelo-palestino, uma vez que não contém um apelo direto a um cessar-fogo", ressaltou o representante permanente russo.
Se as emendas russas não forem incluídas na resolução brasileira, isso não ajudará a retificar a situação humanitária em Gaza, explicou Vasily Nebenzya.
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Ataque a hospital de Gaza é 'tragédia horrível' que deve sinalizar fim do conflito, diz Putin
Um bombardeio contra o Hospital Batista al-Ahli, localizado na cidade de Gaza, a maior cidade da Faixa de Gaza, deixou 471 pessoas mortas nesta terça-feira (17). A maioria delas corresponde a crianças e mulheres. A contagem preliminar de vítimas foi divulgada pelo Ministério da Saúde da Palestina. Ao todo, o ataque ainda deixou mais de 300 pessoas feridas.
As partes envolvidas no conflito culparam uma à outra, com a Palestina dizendo que o ataque foi realizado por aviões israelenses e Israel dizendo que o hospital foi atingido por um foguete lançado sem sucesso pelo grupo palestino Jihad Islâmica.
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