Panorama internacional

Tráfego pelo canal de Suez não deve se recuperar no médio prazo, diz analista

O fluxo de carga através do canal de Suez está no seu nível mais baixo em anos, apontou à Sputnik Aleksandr Nadzharov, analista do Centro de Estudos do Mediterrâneo da Escola Superior de Economia na Rússia.
Sputnik
Segundo o especialista, a ameaça que o Ansar Allah, movimento xiita que controla o norte do Iêmen também conhecido como houthi, impõe no tráfego de navios na região é muito mais séria do que a dos piratas somalis do início do século XXI.
Ao contrário destes últimos, afirmou, o Ansar Allah é uma força militar de pleno direito, um verdadeiro exército, não uma série de gangues.
"Não será possível eliminar as ameaças deles [Ansar Allah] enviando navios de guerra para o estreito de Bab el-Mandeb, como tentaram os norte-americanos. Portanto, essa situação terá consequências pelo menos a médio prazo", afirmou.

"O efeito econômico já é visível: o fluxo de carga através de Suez caiu 40%. As importações marítimas para a Europa caíram para mínimos históricos — inferiores aos da COVID-19. Os custos de frete aumentaram", disse.

Nadzharov enfatizou que as maiores seguradoras estão se recusando a assegurar os navios que navegam pelo estreito de Bab el-Mandeb, que separa a parte sudoeste da península Arábica (Iêmen) da parte nordeste da África (Djibuti e Eritreia).
Ao mesmo tempo, o Asia Import Group acredita que o impacto sobre o transporte marítimo do conflito militar no mar Vermelho e dos ataques a navios por piratas somalis no início do século XXI é quase igual. No entanto, a reação das empresas que seguram navios permanece obscura.
"Talvez aumentem significativamente os preços dos seguros dos navios que viajam pelo canal de Suez", acrescentou o grupo. Cerca de 30% do tráfego mundial de contêineres passa pelo mar Vermelho.
Panorama internacional
Mar Vermelho e ataques no Iêmen: para ONU, tensões podem levar a novo conflito na região
A empresa sublinhou à Sputnik que cada vez mais as companhias marítimas estão optando por uma rota alternativa através do Cabo da Boa Esperança, circunvagando assim completamente a África.

"É interessante que mesmo companhias marítimas de países que não estão de forma alguma ligados a Israel e aos Estados Unidos decidam jogar pelo seguro e não passar pelo canal de Suez", observou.

A rota alternativa aumenta o transporte de cargas em pelo menos dez dias e o custo em cerca de US$ 1 milhão, aproximadamente R$ 5 milhões. De acordo com o Asia Import Group, o transporte marítimo global poderá certamente ser seriamente afetado pelo agravamento da situação.
Comentar