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Lula tenta pressionar a comunidade internacional em meio à impotência da ONU, diz especialista

© AFP 2023 / Pablo PorciunculaLula da Silva, presidente brasileiro, discursa durante cerimônia de lançamento de um projeto de investimento cultural da Petrobras no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil, em 23 de fevereiro de 2024
Lula da Silva, presidente brasileiro, discursa durante cerimônia de lançamento de um projeto de investimento cultural da Petrobras no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil, em 23 de fevereiro de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 24.02.2024
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Uma acadêmica da Universidade Nacional Autônoma do México enumerou os prováveis motivos para o presidente brasileiro criticar Israel em meio à sua campanha militar na Faixa de Gaza.
No domingo (18) Lula da Silva, presidente do Brasil, condenou as ações de Israel na Faixa de Gaza, e disse que o que está acontecendo lá "não é uma guerra de soldados contra soldados", mas "uma guerra entre um exército altamente treinado e mulheres e crianças".
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"O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu. Quando Hitler resolveu matar os judeus", disse o mandatário em uma coletiva de imprensa à margem da 37ª Cúpula da União Africana em Adis Abeba, Etiópia.
Ele foi imediatamente condenado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que o acusou de "banalizar o Holocausto e prejudicar o povo judeu e o direito de Israel de se defender", e Israel Katz, ministro das Relações Exteriores de Israel, em resposta, declarou o líder brasileiro de "persona non grata".
Alguns dias depois, em 23 de fevereiro, o presidente Lula da Silva reiterou sua posição contra Israel e declarou mais uma vez que o que Israel faz na Faixa de Gaza não é guerra, mas genocídio.

Qual é o plano de Lula?

Para Mónica Velasco Molina, doutora em estudos latino-americanos e internacionalista da Universidade Nacional Autônoma do México, que falou à Sputnik, as declarações do presidente brasileiro podem ser entendidas de pelo menos três ângulos.
A acadêmica da Faculdade de Ciências Políticas e Sociais considerou que, em primeiro lugar, o líder sul-americano está buscando pressionar a comunidade internacional diante da total ineficácia demonstrada pelas organizações multilaterais diante da derrocada do território árabe, destacando que, durante a cúpula do G20, a delegação brasileira expressou mais uma vez a necessidade de reformular o Conselho de Segurança da ONU.
"Esta é a terceira vez que os Estados Unidos voltam a vetar uma resolução para, pelo menos, colocar um cessar-fogo aos habitantes de Gaza", notou a doutora.
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Em segundo lugar, a especialista destacou que, ao comparar o cerco militar israelense à Faixa de Gaza com o Holocausto, Lula parece estar tentando motivar a autocrítica da população judaica, não especificamente em Israel, mas no mundo. Ela citou um exemplo no Brasil, onde o coletivo Vozes Judaicas por Libertação publicou uma carta na qual expressou seu apoio ao chefe de Estado brasileiro.
Em terceiro lugar, Velasco Molina crê que, ao lembrar o Holocausto judeu, Lula da Silva está fazendo uma alusão à comunidade europeia, especialmente à Alemanha, para que reformule sua abordagem ao conflito em curso no Oriente Médio.

Brasil é importante

Molina explicou que vê um alto peso do Brasil na região, tão importante que o fato de Lula falar contra o que está acontecendo na Palestina incentiva outros líderes a se juntarem a ele.
"Não só [o presidente colombiano Gustavo] Petro, mas também Luis Arce, o presidente da Bolívia, [expressou sua solidariedade a Lula] e Israel não gosta nada disso", recordou a acadêmica.
"Isso não significa que a Colômbia não seja importante, mas, digamos, em relação ao peso geopolítico de um ou de outro, o peso político, econômico e populacional do Brasil, de longe, é sem dúvida um eixo que atrai outros países da América Latina, da América do Sul e do Caribe", acrescentou a especialista.
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