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BRICS se fortalece como 'contestação hegemônica' com apoio de China a Putin contra avanços da OTAN

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A tentativa de forçar o endosso às sanções ocidentais antirrussas fracassou dentro do BRICS, grupo que aglutina Brasil, Índia, China e África do Sul, além da própria Rússia. Os membros se recusaram a aderir às retaliações econômicas contra Moscou e também resistiram à pressão para o envio de armas à Ucrânia.
Embora acredite que a coalizão de países fique mais evidente em decorrência do conflito ucraniano, Gunther Richter Mros, doutor em história e professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), diz que o enfoque do BRICS é voltado para a dimensão financeira.

"Todavia há uma relação de conflito geopolítico entre OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e Rússia, com algum apoio velado da China ao presidente [da Rússia, Vladimir] Putin. Se fizermos a leitura de que o conflito da Rússia contra os avanços da OTAN possa estar unindo interesses dos dois membros mais poderosos do BRICS (China e Rússia), é claro que a coalizão do BRICS se fortalece, pois a natureza do grupo é de contestação à ordem hegemônica", observa.

© AP Photo / Themba HadebeMulher passa diante de cartaz em homenagem ao ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela durante encontro do BRICS em Joanesburgo, na África do Sul, em 27 de julho de 2018
Mulher passa diante de cartaz em homenagem ao ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela durante encontro do BRICS em Joanesburgo, na África do Sul, em 27 de julho de 2018 - Sputnik Brasil, 1920, 22.02.2023
Mulher passa diante de cartaz em homenagem ao ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela durante encontro do BRICS em Joanesburgo, na África do Sul, em 27 de julho de 2018
Em sua percepção, o BRICS se tornou um "contraponto à ordem internacional construída no pós-Segunda Guerra Mundial", ou seja, uma "ressignificação da ordem criada em Bretton Woods", cidade de New Hampshire, nos EUA, que em 22 de julho de 1944 sediou o encontro que elaborou regras para o sistema monetário global e criou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.
Ainda que a Rússia tenha se tornado o país mais sancionado do mundo, de acordo com dados da plataforma Castellum.ai, o professor não vê uma ligação direta "entre o conflito e uma reforma do sistema financeiro".
Atualmente há 14.022 sanções antirrussas vigentes, a maior parte delas proveniente de Estados Unidos, Suíça, Reino Unido, Canadá e União Europeia.
Por outro lado, a Índia, país que atualmente preside o G20, está exercendo seu soft power no assunto: ministros das finanças e dos bancos centrais do Grupo dos 20 estão reunidos nesta semana, mas as autoridades indianas querem vetar a discussão de mais sanções contra a Rússia.

"A Índia não está interessada em discutir ou apoiar quaisquer sanções adicionais contra a Rússia durante o G20", disse um dos oficiais indianos presentes nas reuniões. "As sanções existentes contra a Rússia tiveram um impacto negativo no mundo."

Hoje (22), primeiro dia de reuniões para redigir o comunicado do G20, autoridades entraram em discussão sobre palavras para descrever o conflito entre Rússia e Ucrânia.
A Índia quis formar um consenso sobre as palavras para descrevê-lo, chamando de "crise" ou "desafio", mas as discussões acabaram sem uma conclusão sobre o assunto.
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Sobre a volta de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente brasileiro, ao poder, em seu terceiro mandato, o professor Gunther Richter Mros diz que ele é um "estadista, e como tal pensa no BRICS como uma importante plataforma para o desenvolvimento do Brasil".

"A política externa brasileira é muito profissional e talvez tenha sido o maior foco dos ataques da extrema-direita no governo anterior. É preciso, todavia, que o núcleo duro do poder decisório nessa seara entenda que os cenários do início do século mudaram bastante e que o próprio papel do BRICS precisa ser repensado com cautela", avalia Mros.

Ele vê a indicação da ex-presidente Dilma Rousseff para a presidência do banco do BRICS como "um gesto confuso, embora do ponto de vista simbólico seja bastante compreensível".
Isso porque, em sua avaliação, a ex-presidente não se mostrou, durante seus mandatos, uma "pessoa hábil com a política internacional".
Segundo o professor, a vontade de adesão ao grupo expressada por diversos países (Argélia, Argentina e Irã já formalizaram o pedido), pode alçar o BRICS a outro nível.
Mas, acrescenta ele, é preciso saber como eventuais novos membros poderiam contribuir para uma proposta de ressignificação do sistema financeiro apresentada pelo BRICS.

"As motivações desses candidatos ao grupo podem ser simplesmente a marginalidade deles no processo decisório das instituições de Breton Woods (o Banco Mundial tem sempre a direção de um norte-americano, e o FMI, de um europeu ocidental). É preciso saber se o que se propõe como mudanças sistêmicas será de fato efetivo em termos concretos", opina.

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Segundo Mros, é uma pergunta difícil de ser respondida.

"Há muitos cenários possíveis, inclusive de ampliação do conflito na Ucrânia ou de início de um outro entre EUA e China. Nas relações internacionais costuma-se chamar de paz os períodos em que não há conflito direto entre as grandes potências. A violência de muitos conflitos espalhados pelo planeta recebem menos atenção da grande mídia. Quando temos gigantes em rota de colisão, a história é diferente. O futuro do BRICS será ditado pela geopolítica clássica, embora a origem desse grupo em 2009 tenha sido a de buscar uma possível reforma econômica sistêmica."

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