Panorama internacional

Saque, colonialismo e conflitos: líder africano culpa Ocidente por crise migratória

Em seu discurso, nesta quinta-feira (21), no pódio da Assembleia Geral da ONU, o presidente da República Centro-Africana (RCA), Faustin-Archange Touadéra, culpou as nações ocidentais pela crise migratória que sofre o continente africano.
Sputnik
Segundo Touadéra, os séculos de saque, colonialismo, terrorismo e a promoção de conflitos armados no continente resultaram nos problemas que a África enfrenta hoje.
"Esta escalada da crise migratória é uma das terríveis consequências da pilhagem dos recursos naturais dos países empobrecidos pela escravidão, pela colonização e pelo imperialismo ocidental, pelo terrorismo e pelos conflitos armados internos."
A fala do presidente da RCA foi uma resposta ao discurso de ontem, quarta-feira (20), da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, centrado na questão da imigração ilegal em seu país. Em seu discurso, a política de direita equiparou a situação dos migrantes ao antigo tráfico negreiro.
Recentemente, a ilha de Lampedusa, ponto mais austral da Itália, se tornou o principal ponto de ancoragem para barcos com imigrantes devido a sua localização, a menos de 150 km da costa africana. Em apenas três dias, a pequena ilha recebeu cerca de 8.500 pessoas em 199 barcos, número maior do que a população local.
"Estes jovens que simbolizam o presente e o futuro do nosso continente procuram desesperadamente juntar-se aos países do continente europeu em busca de um Eldorado", afirmou Touadéra em seu discurso.
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O presidente centro-africano também parabenizou a "solidariedade e os incríveis esforços" dos países que abrigam esses migrantes, mas pediu que a África tenha um maior papel na solução dessa crise.
"A ONU deve ir além do nosso compromisso comum de reavivar a solidariedade global, envolvendo os países africanos na procura de soluções globais para as crises migratórias e para as questões existenciais que os jovens enfrentam no continente africano."
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