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Especialista: globalização e ajuda à Ucrânia escoaram capacidade dos EUA de suportar grande guerra

© AP Photo / Efrem LukatskyProjéteis de obuseiro M777 fornecidos pelos EUA no chão para disparar contra posições russas na região leste de Donbass. Ucrânia, 18 de junho de 2022
Projéteis de obuseiro M777 fornecidos pelos EUA no chão para disparar contra posições russas na região leste de Donbass. Ucrânia, 18 de junho de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 29.04.2023
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Segundo um ex-membro do Pentágono, os EUA deslocalizaram dezenas de milhares de suas fábricas ao longo dos anos e estão drenando sua capacidade militar meramente com a ajuda à Ucrânia.
Em junho de 2021 houve uma explosão na fábrica de pólvora negra em Minden, Louisiana, EUA, deixou o complexo militar-industrial dos EUA dependente dos estoques e das importações estrangeiras de material crucial, incluindo para obuseiros de 155 mm e mísseis de cruzeiro Tomahawk.
O Departamento de Defesa e os novos proprietários da fábrica esperam que a fábrica seja reaberta e retome suas operações ainda em 2023, após ser remodelada.
Como os EUA chegaram a uma situação em que dependiam de uma única fábrica para todo o seu suprimento de pólvora negra? Cortes pós-Guerra Fria e um processo de "consolidação", na opinião de David Pyne, ex-oficial da equipe do quartel-general do Exército dos EUA.
"Durante a Guerra Fria, os EUA tinham um número aparentemente vasto de fabricantes de armas, explosivos e munições, mas desde então o Departamento de Defesa tem incentivado a consolidação de fornecedores, reduzindo o número para um montante muito menor de grandes fabricantes", disse em uma entrevista à Sputnik o especialista, que atualmente é vice-diretor de operações nacionais da Força-tarefa Sobre Defesa Contra Ataques de Pulso Eletromagnético (EMP) da Segurança Nacional e Interna.
Pyne também destacou políticas como a globalização, sob as quais "os EUA fizeram outsourcing e transferiram dezenas de milhares de suas fábricas de alta tecnologia para outros países, incluindo a RPC [República Popular da China, o que] serviu para reduzir em massa as capacidades de produção industrial militar dos EUA, enquanto a China agora tem uma base de fabricação duas vezes maior que a nossa".
Ele citou o exemplo de terras raras, 90% das quais são compradas na China, o que tornaria "duvidosas" as possibilidades de os EUA prevalecerem em um conflito com a Rússia e a China. O ex-membro do Pentágono sublinhou que os grandes estoques de mísseis antitanque Javelin, mísseis terra-ar Stinger, lançadores múltiplos de foguetes Himars e sistemas de defesa antiaérea Patriot enviados para a Ucrânia demorarão "quase uma década" a reabastecer.

Efeito da Ucrânia?

Enquanto isso, notou, os legisladores de Washington estão envolvidos em um teatro político de uma nova resolução da Câmara dos Representantes, que afirma que a política dos EUA será ver a Ucrânia sair "vitoriosa" contra a Rússia.
De acordo com o ex-oficial do Exército, a resolução não passa de retórica vazia, lembrando que a Rússia é 35 vezes maior do que a Ucrânia, tem uma economia 11 vezes maior e tem "cinco vezes mais pessoas, tanques, aviões de combate e sistemas de artilharia" do que a o vizinho, sem mencionar as armas nucleares.
Citando uma estimativa recente, David Pyne disse que Kiev precisaria de pelo menos dois ou três milhões de militares para recapturar os territórios perdidos, tendo já perdido a vida de 150.000, e 300.000 feridos. Os vazamentos do Pentágono também apontariam para uma falta de confiança nos bastidores sobre o potencial da esperada "ofensiva" de Kiev, o que poderia levar a uma resolução em forma de negociações, como os líderes russos têm sugerido no último ano.
Ao mesmo tempo, o membro da Força-tarefa Sobre Defesa Contra Ataques de Pulso Eletromagnético está animado com o fato de que ambos os principais candidatos republicanos em 2024, o ex-presidente Donald Trump (2017-2021) e o governador da Flórida, Ron DeSantis, apoiarem um cessar-fogo para acabar com o conflito ucraniano, sendo que do lado democrata, Robert F. Kennedy Jr., principal desafiante de Joe Biden, também apresentou um plano para resolver a situação.
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