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'Hegemonia maligna': por que EUA e França se intrometem em operação da Marinha do Brasil na África?

© Foto / Facebook/Marinha do BrasilNavio de patrulha da Marinha do Brasil NPaOc Apa
Navio de patrulha da Marinha do Brasil NPaOc Apa - Sputnik Brasil, 1920, 01.09.2022
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Foram dois meses de atuação no golfo da Guiné, na África, durante a Operação Guinex II, da Marinha do Brasil, até 20 de agosto. Houve séries de exercícios nos mares e nos portos de Costa do Marfim, São Tomé e Príncipe, Camarões, Nigéria e Cabo Verde.
As atividades militares incluíram abordagem, inspeção e visita a outros navios, além de manobras de embarcações rápidas, trânsito sob ameaças de lancha e jet-ski e técnicas de operações especiais, entre outras.
A intenção, de acordo com fontes oficiais, foi fortalecer laços com países do continente africano, além de assegurar o apoio à segurança marítima do Atlântico Sul.
Na prática, porém, a questão ressoa diferente, segundo um especialista ouvido pela Sputnik Brasil: trata-se de uma gestão de interesses capitaneada pelos EUA, França e outros países do Ocidente sob as diretrizes do Comando dos Estados Unidos na África (AFRICOM), braço militar norte-americano com uma constelação de bases espalhadas pelo continente.
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Paris Yeros, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e especialista quando o tema é o continente africano, afirma que cabem aos EUA e à França a coordenação da operação.
A própria Marinha admitiu que ambos os países participaram dos exercícios, além de Espanha, Portugal, Reino Unido, Senegal, Benin e Togo.

"A Marinha brasileira participa de diversas iniciativas no Atlântico Sul, inclusive duas grandes ações desde 2014 organizadas por intermédio dos EUA e da França, quais sejam: Obangame Express e Grand African, respectivamente. A Operação Guinex é uma relação direta [do Brasil] com países africanos, porém ainda com contatos e coordenação com EUA, França e outros países europeus", aponta Yeros.

A importância estratégica dessa parceria é avaliada pelo professor da UFABC como dúbia, no entanto, justamente por causa das forças americanas da AFRICOM.

"O significado é ambíguo, pois o Brasil precisa ter segurança no Atlântico Sul contra pirataria, tráfico ilícito e outros crimes e também para a exploração do pré-sal e gás no seu litoral, porém há a tendência contínua de se submeter ao comando africano dos EUA quando se relaciona com a África."

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Ele lembra que 90% das exportações do Brasil escoam pelo Atlântico Sul. Devido a isso, garantir a segurança desse trânsito é fundamental.
A questão, pondera Yeros, é se, e como, a segurança do Brasil garante a segurança do litoral africano quando implica envolvimento do Comando dos Estados Unidos na África.
O especialista também vincula a operação e os exercícios militares aos interesses econômicos das Forças Armadas com países do continente africano.

"Além das rotas comerciais e dos recursos naturais, o Brasil almeja vender equipamento da sua indústria militar, especialmente da Embraer. Mas pouco sucesso teve até hoje, com exceção de uma encomenda da Nigéria. Poderá o Brasil ter uma influência positiva no setor se oferecer, de fato, uma alternativa para equipamento militar independentemente dos EUA ou da França", analisa.

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Yeros aponta que a diversificação de relações no Atlântico Sul é importante para todas as partes, "dada a hegemonia maligna que os EUA e a França exercem no continente [africano]".

"Quanto maior a autonomia dessas relações entre Brasil e África, maior seria o espaço de manobra para encontrar alternativas de cooperação", finaliza.

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