Apesar da cooperação contra terrorismo, imagem de Israel está manchada, afirma ex-diretor da Mossad

© AP Photo / Dan BaliltyBeit Hatfutsot, o Museu do Povo Judeu, em Tel Aviv, Israel
Beit Hatfutsot, o Museu do Povo Judeu, em Tel Aviv, Israel - Sputnik Brasil
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A Corte Penal Internacional anunciou nesta sexta-feira (20) que abriria uma investigação sobre os alegados crimes de guerra cometidos por Israel na Faixa de Gaza e Cisjordânia, causando preocupação entre funcionários e militares israelense.

Porém, a decisão não causou nenhuma alteração na cooperação em segurança entre Israel e Europa.

Uma semana atrás, a agência de inteligência de Israel, Mossad, transferiu informações para seus homólogos na Dinamarca, expondo uma célula de militantes que planejavam uma série de ataques terroristas em território dinamarquês.

Dois mundos separados

Danny Yatom, que dirigiu a agência no fim dos anos 90, afirma que Israel diferencia claramente suas preocupações políticas e as de segurança.

"Não punimos um país pelo fato de ele impor algumas restrições sobre produtos israelenses feitos em Judéia e Samaria, por exemplo", acrescentou ele se referindo à decisão tomada pela Suprema Corte de Justiça da União Europeia, que orienta seus membros a rotular as importações vindas da Cisjordânia e Colinas de Golã, que são considerados pelo direito internacional como territórios palestinos ocupados.

"Quando se trata de questões de segurança ou de salvar vidas humanas, a Mossad coopera com governos estrangeiros independentemente de suas atitudes políticas quanto a Israel", ressalta Yatom. Israel seguiu esse modelo em diversas ocasiões.

A Mossad é conhecida por suas operações arrojadas, incluindo a captura do nazista Adolf Eichmann, que foi sequestrado na Argentina em 1960 e levado a Israel para encarar a justiça. Operacionais da Mossad também assassinaram militantes palestinos do grupo terrorista Setembro Negro, responsável pela morte de onze atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique em 1972.

"Com o intuito de descobrir informações sensíveis fortemente guardadas pelos nossos inimigos, frequentemente precisamos de penetrar no coração de organizações terroristas", afirma o antigo espião.

Missão – defender a Pátria

Porém, quando o fazem, o objetivo é proteger Israel.

"Enquanto coletamos inteligência, cruzamos informação sensível que não tem relação com Israel, mas revela planos de ataques terroristas contra alvos civis em outros países. Nesse momento nós passamos as informações para as instituições relevantes na Europa ou em outros locais".

A Mossad também espera que sua ajuda seja retribuída, que os europeus também compartilhem sua própria inteligência quando se trate de alvos judeus ou israelenses, além de esperar que um dia seus esforços mudem a atitude europeia em relação a Israel.

No entanto, parece que isso não provoca os efeitos desejados, uma vez que a reputação de Israel tem sofrido nos últimos anos, de acordo com Yatom. Em 2003, por exemplo, uma pesquisa em quinze países europeus revelou que Israel é encarado como um risco maior para a estabilidade mundial que o Irã, a Coreia do Norte ou os Estados Unidos.

O ex-chefe da Mossad explica que a política de expansão de assentamentos na Cisjordânia pode ser um dos motivos.

Entre 1967 e 2017, Israel criou mais de 200 assentamentos no território palestino da Cisjordânia. Hoje, a região abriga mais de dois milhões de pessoas, das quais só um quarto é judeu.

"Israel é visto como um conquistador que oprime outros povos. Como tal, isso torna as relações políticas com outros Estados mais difícil, uma vez que eles se sentem livres para nos atacar na arena internacional".

Em janeiro a União Europeia planeja discutir o conflito entre Israel e Palestina a nível de chanceleres e deve votar pelo reconhecimento da Palestina como Estado. Além disso, em janeiro, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas deve divulgar sua lista negra com 206 organizações e empresas que operam na Cisjordânia, um passo que afetará a imagem delas e, consequentemente, suas vendas.

Desde que Israel capturou a Cisjordânia da Jordânia em 1967, os territórios estão em disputa, com a comunidade internacional se recusando a reconhecer a soberania israelense na região.

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