Linha vermelha: como os EUA planejam 'reprimir a agressão da Rússia'

© REUTERS / Ints KalninsSoldados do exército polonês participam dos treinamentos da OTAN Saber Strike em Adazi, Letônia. 13 de junho de 2016
Soldados do exército polonês participam dos treinamentos da OTAN Saber Strike em Adazi, Letônia. 13 de junho de 2016 - Sputnik Brasil
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Construção da infraestrutura militar, missões de inteligência, propaganda e entrega de armas aos aliados: em 2018 os EUA planejam gastar 4,6 bilhões de dólares para a luta contra "ações agressivas da Rússia na Europa". O número foi anunciado em meio ao crescimento da atividade da OTAN nas fronteiras com a Rússia.

Neste artigo, Sputnik revela como o Pentágono planeja gastar quase cinco bilhões de dólares lutando contra a Rússia.

Até 18 horas

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O orçamento militar para 2018 é o primeiro documento aprovado no mandato de Donald Trump. E não é por acaso que este foi publicado um dia antes do encontro agendado, mas depois cancelado pelo líder norte-americano com o presidente russo, Vladimir Putin à margem da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC, sigla em inglês) no Vietnã. Muitos especialistas acreditavam que Trump, conhecido por sua firmeza e objetividade, usaria seu trunfo de cinco bilhões como um argumento durante as conversações sobre problemas da atualidade, nos quais Moscou e Washington têm visões diferentes.

A soma de 4,6 bilhões é muito modesta para representar ameaça direta à Rússia. Ela pode ser comparada com os gastos da defesa da Suíça ou Vietnã, e "devora" menos de um por cento do grande orçamento de defesa dos EUA, que conta com quase 700 bilhões de dólares. Contudo, o Pentágono é capaz de gastar este dinheiro racionalmente.

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"É claro que 4,6 bilhões não representam uma soma suficiente para desencadear uma guerra de grande escala contra a Rússia", comentou à Sputnik o especialista em assuntos dos EUA, Sergei Sudakov. 

"Contudo, é suficiente para o financiamento de três direções, que hoje em dia o Pentágono considera principais quanto à pressão sobre a Rússia. O mais importante é o aperfeiçoamento da infraestrutura norte-americana […] na Europa e na região do Báltico, que permitirão em prazos muito curtos, até 18 horas, concentrar grupos de ataques perto de nossas fronteiras", explica o especialista. 

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De acordo com ele, a segunda direção é a segurança de informação e armas cibernéticas. A parte do dinheiro "europeu" será destinada às preparações dos especialistas capazes de conduzir a guerra no espaço cibernético (o que há pouco foi treinado durante exercícios estratégicos das Forças Armadas dos EUA, Global Thunder). A terceira direção será destinada para o financiamento adicional de estruturas analíticas particulares, recolhendo informações sobre tropas, objetos militares e infraestrutura concentrada nas áreas fronteiriças da Rússia. 

"Se analisarmos todos os discursos dos políticos e militares norte-americanos sobre a necessidade de 'conter a Rússia', bem como analisarmos as últimas ações do Pentágono na Europa, ficará claro, que todos eles são dirigidos contra nós", acredita Sudakov. 

Acrescentou, que "os EUA se aproximaram da linha vermelha que as autoridades russas devem designar decisivamente. Caso contrário, eles continuarão 'a puxar orelhas do urso', o que não resultará em nada de bom. Tenho medo que aos poucos, estamos nos aproximando de um confronto aberto". 

Aríete do Leste Europeu

Porém, dificilmente os próprios norte-americanos lutarão. Como um ponto separado, no contexto do projeto está mencionado a assistência militar aos aliados dos EUA na Europa Oriental. Em particular, o Pentágono pretende alocar 350 milhões de dólares à Ucrânia para a compra de armas e modernização de seu exército. Outros 100 milhões vão ser divididos entre Estônia, Lituânia e Letônia. 

© AFP 2023 / Vano ShlamovVeículos de combate de infantaria Bradley e tanques M1A2 Abrams norte-americanos durante os exercícios conjuntos georgiano-americanos (foto de arquivo)
Veículos de combate de infantaria Bradley e tanques M1A2 Abrams norte-americanos durante os exercícios conjuntos georgiano-americanos (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
Veículos de combate de infantaria Bradley e tanques M1A2 Abrams norte-americanos durante os exercícios conjuntos georgiano-americanos (foto de arquivo)

"Há pouco que acabou a cúpula dos ministros da Defesa dos integrantes da OTAN, na qual foi decidido criar dois comandos da aliança, Oriental e Ocidental […] Assim, os aliados foram divididos em 'elites' e 'plebeus'. Caso os norte-americanos de verdade se preocupassem com a segurança na Europa, por que é que não ajudariam com armas e dinheiro tais países como Alemanha, Itália, França, Espanha? É simples: Washington precisa da presença militar nestes governos a fim de manter a União Europeia sob seu controle. No caso da guerra contra a Rússia, são os ‘plebeus’ que vão lutar. É para isso que eles recebem dinheiro e material bélico, que não é moderno. Parte das máquinas de combate seria retirada pelos norte-americanos do Oriente Médio e nem sequer trocariam as cores 'de deserto' da camuflagem, por cores mais adequadas para as paisagens europeias. Eles simplesmente não se importam no que acontecerá com esta técnica bélica e suas tripulações. Os EUA consideram seus aliados do Leste Europeu como forragem para canhão, aríete contra os portões da Rússia", explica o especialista militar, Aleksandr Zhilin.

Mísseis "baratos"

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Vale destacar outros planos dos EUA quanto à modernização de suas forças de dissuasão nuclear. Em particular, o Congresso aprovou a alocação de 50 milhões de dólares para a elaboração de um novo míssil de alcance médio da base terrestre, o que viola o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, firmado em 1987 pela União Soviética e os EUA. Como justificação, os EUA afirmam que é a Rússia que viola o tratado, se referindo aos complexos de mísseis Iskander, concentrados na região de Kaliningrado, enclave russo entre a Polônia e a Lituânia. Contudo, a Rússia desmente essas acusações, afirmando que os mísseis encaixam nas limitações estabelecidas pelo tratado. 

Porém, especialistas duvidam que o Congresso abertamente divulgará os dados sobre a criação de tal tipo de armas. 

"Declarações do Congresso é nada mais que um elemento da guerra de informação", afirmou Aleksandr Zhilin. 

Sergei Sudakov apoia esta visão, acrescentando que os norte-americanos iniciam com muita frequência provocações, como, por exemplo, declarações sobre a saída do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, e procuram que a Rússia defina os limites que ela não permitirá que sejam ultrapassados. No que se refere às declarações do Congresso, 58 milhões de dólares não serão o suficiente para criação de um novo míssil, acredita ele.

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