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Investigação em curso está detectando militares ucranianos ligados ao atentando contra o Il-76 russo

O Comitê de Investigação da Rússia anunciou a abertura de um processo criminal após a derrubada do avião de transporte militar Il-76. Moscou também reafirmou que "todos aqueles que cometem tais atos terroristas horríveis" devem ser levados à Justiça.
Sputnik
Nesta quinta-feira (25), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que vestígios de elementos destrutivos foram encontrados nos restos da fuselagem do Il-76.

"Sabemos que já encontramos caixas pretas, sabemos que foi encontrado um buraco de elementos destrutivos na fuselagem, restos da fuselagem da aeronave. Assim, os investigadores agora têm que determinar o tipo de elementos destrutivos e que tipo de armas a que se referem", afirmou o porta-voz.

Um representante dos serviços de emergência russo informou à Sputnik que centenas de buracos de entrada de elementos impactantes de um míssil foram encontrados nos destroços do avião.

"Durante um exame detalhado dos destroços da aeronave, foram encontradas centenas de buracos de entrada dos elementos de impacto de um míssil", disse o representante. Os elementos marcantes também foram encontrados porque "alguns ficaram presos na camada externa e muitos perfuraram-na completamente", acrescentou.

A Ucrânia admitiu indiretamente que abateu um Il-76, mas queixou-se que a Rússia supostamente não notificou "a necessidade de garantir a segurança do espaço aéreo" perto de Belgorod naquela região.
No entanto, Peskov disse que Moscou informou à Ucrânia o fato de que o Il-76 transportava prisioneiros de guerra ucranianos.
"Aqui proponho focar nas declarações que foram emitidas da nossa parte. Foram os nossos representantes que afirmaram que tais informações foram transferidas em tempo hábil à Ucrânia", disse Peskov.
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No entanto, o porta-voz acrescentou que todos os detalhes relacionados à troca de prisioneiros de guerra entre Moscou e Kiev devem permanecer ocultos do público, visto que a questão é "delicada".
"Toda a mecânica associada ao processo de troca [...] são informações confidenciais. Isso é algo que deveria ser realizado fora do público e não deveria ser publicado em lugar algum. No interesse de continuar o processo, dificilmente há necessidade de discutir detalhes agora", afirmou.
Também nesta quinta-feira (25), o Comitê de Investigação russo anunciou o inicio de um processo criminal após o abate do avião de transporte militar Il-76.

"O Comitê de Investigação da Rússia abriu um processo criminal sobre esse incidente por um crime definido no artigo 205 do Código Penal da Federação da Rússia [ato terrorista]", diz o comunicado da organização.

O representante permanente da Rússia na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Aleksandr Lukashevich, afirmou que "a Rússia exige levar à Justiça todos os responsáveis ​​pela queda do avião Il-76".
"Exigimos que todos aqueles que cometem atos terroristas tão horríveis como a queda do avião IL-76 sejam condenados em termos fortes e levados à Justiça", declarou.
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O diplomata também comentou que Moscou não convidou nem a OSCE nem a Organização das Nações Unidas (ONU) para participarem da investigação.
"Não convidamos nem a OSCE nem a ONU para investigar [...] por que precisamos disso? Quem devemos convidar? Aqueles que são envenenados por esse veneno ucraniano-ocidental? Não, eu nem permito esse pensamento", analisou.
O representante também destacou que a Rússia "espera que o ocorrido receba condenação internacional, inclusive aqui [na OSCE]", disse Lukashevich, acrescentando que "todos aguardam algum tipo de esclarecimento por parte dos ucranianos".
O avião de transporte militar Il-76 com 65 prisioneiros de guerra ucranianos, seis tripulantes e três acompanhantes caiu na região de Belgorod na quarta-feira (24). O Ministério da Defesa russo disse que o avião foi destruído por mísseis ucranianos lançados da região da Carcóvia.
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