Panorama internacional

Scott Ritter: Ucrânia foi rebaixada a 'peão' no tabuleiro de xadrez geopolítico servindo ao Ocidente

Há uma profunda diferença entre o líder da Rússia e seu homólogo da Ucrânia no que diz respeito à abordagem do conflito ucraniano, disse o antigo oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA Scott Ritter à Sputnik, ao debater o comunicado de final de ano de Vladimir Putin, nesta quinta-feira (14).
Sputnik
O presidente russo defende a soberania do seu país a cada passo, enquanto o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, permitiu que a Ucrânia se tornasse uma ferramenta complacente de um Ocidente "disposto a sacrificar essa nação, os seus soldados e o seu povo em um campo de batalha onde não obterão nada além de morte e destruição", segundo Scott Ritter.
Para o analista, Putin se preocupa com o povo, os soldados e a nação russa, e é aí que reside a profunda diferença entre ambas as abordagens do conflito ucraniano. Para o líder russo, a soberania é uma condição à existência de um Estado.

"Se você se envolver em um conflito armado, haverá consequências, haverá mortos e feridos, mas cabe ao governo, ao Estado, evitar baixas desnecessárias de guerra", disse Ritter. Aqui reside o "segredo" da abordagem russa, acrescentou ele, já que Putin "demonstrou que está sempre preparado para colocar os interesses do povo russo e dos soldados russos em primeiro lugar. Vladimir Zelensky, por outro lado, em vez de aceitar os termos generosos estabelecidos por Moscou, que poderiam ter salvado as vidas dos soldados ucranianos, cedeu à pressão exercida sobre ele pelo então primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, pelo secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, e por outros líderes de países ocidentais, que disseram: 'Não aceitem os termos de paz' e 'continuem o conflito'".

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Era evidente que era fisicamente impossível para o Exército ucraniano derrotar os militares russos, mas essa foi a premissa a que Zelensky "aderiu" quando "aceitou a assistência militar ocidental […]. No entanto a questão é: para que fim? Isso foi para servir aos interesses da Ucrânia ou aos interesses do Ocidente?", refletiu Ritter.

"Zelensky não pretende servir ao povo do seu próprio país […]. Ele permitiu que a soberania da Ucrânia fosse subordinada aos interesses da Organização do Tratado do Atlântico Norte [OTAN], da União Europeia e dos EUA. O conflito não tem consideração pela Ucrânia e tem todas as considerações pelos interesses ocidentais", destacou o especialista.

O governo da Ucrânia parece estar pressionando para que o seu povo seja exterminado, observou Putin em seu comunicado de fim de ano. Na verdade, enquanto o Ocidente continua a canalizar ajuda militar no valor de bilhões de dólares para Kiev, apesar da contraofensiva fracassada e das enormes baixas humanas, os soldados da Ucrânia são pouco mais do que "peões a serem sacrificados em um tabuleiro de xadrez geopolítico onde o Ocidente só procura os seus interesses", concluiu Ritter.
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