Panorama internacional

Mídia: Arábia Saudita pode converter usina nuclear civil em militar no âmbito do acordo com Israel

Ex-vice-chefe da Comissão de Energia Atômica teme que a demanda de Riad para enriquecer urânio como parte do acordo de normalização de Israel possa abrir a "caixa de Pandora'" e lançar uma corrida armamentista no Oriente Médio.
Sputnik
Há muito é aventado o possível acordo de normalização de relação entre Riad e Tel Aviv. Passos mais ambiciosos para reatar os laços ainda não foram dados, mas na mesa de negociação as exigências de ambos os lados já foram colocadas em jogo.
A Arábia Saudita fez três exigências no âmbito do acordo, e uma delas é ter permissão para construir uma usina nuclear para fins civis como parte de um acordo de normalização com Israel.
Segundo Ariel Levite, que atuou como principal vice-diretor-geral de política da Comissão de Energia Atômica de Israel, o maior problema com a demanda de Riad é que "eles [os sauditas] não estão satisfeitos com reatores para fins energéticos, mas também estão interessados ​​em um programa de enriquecimento de urânio. Esta é a parte mais problemática e sensível do acordo que pode estar atualmente em andamento", afirmou o especialista ao The Times Of Israel.

"Há dois problemas: primeiro, tornar a Arábia Saudita paralela ao Irã em termos de desenvolvimento de seu programa nuclear. Em segundo lugar, abre uma 'caixa de Pandora' para os americanos", disse Levite, porque "se a Arábia Saudita puder fazer isso, criará um precedente internacional problemático".

Outros países do Oriente Médio, como os Emirados Árabes Unidos, comprometeram-se com os Estados Unidos a usarem seus reatores nucleares apenas para fins civis, renunciando ao enriquecimento de urânio ou plutônio, no que ficou conhecido como "padrão-ouro de não proliferação".
Entretanto, Levite argumentou que as ambições nucleares dos sauditas são atribuíveis ao desejo do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman de se estabelecer como líder na região, à frente dos Emirados Árabes Unidos e do Irã.
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A mídia ressalta que as exigências de bin Salman colocam Washington em um dilema: por um lado, Joe Biden está interessado em fechar um acordo com o líder saudita para obter uma importante conquista geopolítica antes das eleições de 2024, fazendo com que os sauditas assinem um acordo de normalização com Israel e, em troca, Israel faça concessões sobre a questão palestina, apontou Levite.
Por outro lado, alguns membros do Congresso insistem em manter a "vantagem militar qualitativa" de Israel em tecnologia de defesa e podem não concordar com a demanda da Arábia Saudita sem a aprovação prévia israelense.
As três demandas sauditas são: acesso à tecnologia de defesa americana avançada – como o sistema de mísseis THAAD –; o estabelecimento de uma aliança de defesa com os Estados Unidos e luz verde para desenvolver o reator.
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Nesta última, Israel não precisaria aprovar, a resposta final ficaria com os americanos. Por isso, membros do Congresso norte-americano querem fazer com que haja uma aprovação prévia israelense.
Levita também chamou atenção para o desastre ambiental que poderia acontecer com a instalação da usina nuclear.
"Se ocorrer uma falha operacional ou de segurança, pode haver um enorme impacto ambiental. Sabemos disso por vários incidentes no passado, como Chernobyl e Fukushima [...] se a Arábia Saudita construir um reator, eles só podem colocá-lo perto do mar Vermelho, porque um reator precisa de grandes quantidades de água para resfriar, e se um desastre ou ataque terrorista ocorrer lá não será uma questão simples - para nós também, já que não estamos longe", complementou.
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