Operação militar especial russa

Fonte explica por que Kiev não deverá ter em breve sistemas Patriot espanhóis

O governo ucraniano recebeu algumas unidades de defesa antimísseis Patriot e agora apontou os olhos aos possuídos por Espanha. Uma fonte explicou as dificuldades associadas ao processo.
Sputnik
A Ucrânia já possui sistemas de defesa antimísseis Patriot, fornecidos pelos EUA, Alemanha e Países Baixos. No entanto, Vladimir Zelensky demonstrou querer mais unidades.
Além da Polônia, Suécia e Romênia, ele pediu mais Patriot à Espanha em 1º de junho, durante a reunião da Comunidade Política Europeia perto de Chisinau, na Moldávia, que reuniu Estados-membros da União Europeia e países candidatos. Mark Rutte, primeiro-ministro dos Países Baixos, fez oficialmente o mesmo pedido a Madri.
No entanto, as Forças Armadas da Espanha só têm três baterias Patriot, duas delas localizadas na base dos fuzileiros navais em Valência e uma terceira em Adana, na Turquia. De acordo com uma fonte militar, é "impossível" Madri se desfazer das duas primeiras, pois isso "comprometeria a defesa nacional". Por isso, Kiev também está pressionando Ancara para permitir a transferência da terceira bateria.
A bateria antimísseis Patriot foi instalada em solo turco em janeiro de 2013 para atender a uma solicitação do governo após a eclosão da guerra civil na Síria, um conflito que gera instabilidade nas fronteiras turcas "devido à possível ameaça representada pelo uso descontrolado de mísseis na região", disse o Ministério da Defesa da Espanha.
"Mas a guerra na Síria terminou e o Exército turco ocupa os territórios da fronteira norte desde 2016", o que teoricamente permite que ela seja entregue às forças de Kiev, explicou um oficial da reserva de alto escalão à Sputnik.
A missão do respectivo contingente espanhol na Turquia termina em 31 de dezembro de 2023, o que torna necessário esperar seis meses por uma hipotética transferência do sistema para a Ucrânia na ausência de uma negociação prévia.
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Ao mesmo tempo, a Turquia, liderada pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, tem relutância em o ver partir, devido ao valor político que simboliza a confiança da OTAN na Turquia, e Ancara tem demonstrado não seguir totalmente os interesses da aliança, inclusive com o bloqueio da adesão da Suécia à OTAN.

Caraterísticas dos Patriot

As três baterias Patriot próprias da Espanha são bastante antigas, não estando claro que sejam muito úteis no conflito imprevisível na Ucrânia, "ainda [que] sejam boas o suficiente" para lidar com uma ameaça hipotética "do Magrebe".
As três baterias espanholas foram compradas da Alemanha, a primeira em 2004, e as outras duas, de segunda mão, em 2014. A configuração atual das três baterias é 2+, com seis lançadores de quatro mísseis cada. O Ministério da Defesa da Espanha aprovou um primeiro lote de € 145 milhões (R$ 757,27 milhões) em 2023 para modernizá-las e passar para a configuração 3+, com lançadores de 16 mísseis e novo software. O programa de modernização para esse e outros armamentos vai até 2028.
"O problema com as nossas baterias Patriot é que elas podem ser incompatíveis com as que já foram entregues à Ucrânia", sublinha a fonte, que nota que os outros países europeus na OTAN equipados com sistemas Patriot já têm a configuração 3+.
Uma bateria do sistema Patriot integra vários componentes: uma estação de controle, uma central de fornecimento de energia, um radar AN/MPQ-53 com alcance de 70-130 km, o lançador de mísseis terra-ar, com alcance de 100 km e velocidade máxima de cinco vezes a velocidade do som, e uma tripulação de pelo menos 90 militares para operar o sistema inteiro.
Os Patriot são em teoria capazes de abater mísseis balísticos e de cruzeiro de curto alcance. No entanto, sua área de ação é limitada, podendo proteger uma base militar, por exemplo, mas não uma cidade inteira. Outro problema é sua taxa de interceptação.
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Jeffrey Lewis, analista da revista norte-americana Foreign Policy, afirmou em março de 2018 que não havia provas de que as baterias Patriot PAC-2 da Arábia Saudita tivessem interceptado qualquer um dos sete mísseis Burkan-2 que os rebeldes houthis do Iêmen lançaram então contra Riad, resultando em destruição, uma morte e vários feridos.
Ele também criticou a eficácia dos sistemas de defesa antimísseis durante a Guerra do Golfo de 1991, onde inicialmente foi relatado que eles abateram 45 dos 47 mísseis Scud iraquianos lançados.
"Posteriormente, o Exército dos EUA revisou essa estimativa em baixa para cerca de 50% e, mesmo assim, expressou uma 'maior' confiança em apenas cerca de um quarto dos casos", escreveu Lewis na época.
Além disso, o treinamento da equipe que faz a manutenção, o uso e a reparação das baterias dura tempo.
"Em princípio, pode levar meses", disse a fonte militar à Sputnik. Ela admite que isso pode ter sido reduzido no caso de militares ucranianos que foram aos EUA para treinamento, "mas não podemos ter certeza".
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