Panorama internacional

Gastos militares dos EUA poderiam cair abaixo de 3% do PIB pela 1ª vez em um quarto de século

O acordo do teto da dívida do país norte-americano deve reduzir os gastos militares reais, segundo um artigo de opinião publicado na mídia norte-americana.
Sputnik
Vários senadores alertaram que o acordo do teto da dívida dos EUA leva a cortes nos gastos militares, escreveu na sexta-feira (2) o jornal norte-americano The Wall Street Journal (WSJ).
Os republicanos conseguiram reduzir gastos domésticos, como pretendiam, mas o preço político foi concordar com o pedido de orçamento de defesa do presidente Joe Biden de US$ 886 bilhões (R$ 4,39 trilhões) para 2024 e US$ 895 bilhões (R$ 4,43 bilhões) em 2025. Ajustando ao atual nível da inflação, o acordo significa uma queda real dos gastos militares, com eles podendo cair para menos de 3% da economia "pela primeira vez desde o auge do dividendo da paz pós-Guerra Fria no final da década de 1990", diz o WSJ.
Assim, o orçamento de Biden reduz a Marinha dos EUA para 286 navios até 2025, enquanto a da China aumenta para uma frota de 400 navios necessária para controlar Taiwan, nota o artigo de opinião do jornal.
Segundo o senador Tom Cotton, a diferença entre o compromisso atingido e "o crescimento anual real de 5% de que o Pentágono precisa" equivale a cinco porta-aviões da classe Gerald Ford ou 90.000 mísseis Stinger. Ele acusa os legisladores democratas de excessiva preocupação com os gastos no bem-estar social, o que, segundo o veículo de imprensa, poderia retornar os EUA aos tempos do conflito orçamentário de 2011, que "devastou a prontidão militar".
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Uma das críticas é que o Pentágono poderia gastar melhor o seu dinheiro, com propostas como a reforma do serviço civil, do sistema de saúde militar e o corte de serviços como mercearias do Departamento de Defesa ou aluguéis de canoas subsidiados nas bases militares. No entanto, sem passos mais controversos como a redução de tempo de manutenção ou de voo, seria impossível ultrapassar o fato de o país norte-americano possuir uma frota naval que é cerca de metade da dos tempos da Guerra Fria.
"A pior parte do acordo da dívida pode ser a mensagem que ele envia aos investidores. Os norte-americanos aprenderam recentemente que uma base industrial de defesa frágil não está preparada para aumentar o número de armas para contingências como a guerra na Ucrânia. As empresas não investirão, por exemplo, na expansão de estaleiros quando Washington anunciar que os gastos com defesa estão caindo", argumenta a coluna.
O artigo acrescenta que apesar das garantias no sentido contrário do presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, "a verdade" é que o país "está entrando em um período perigoso, com um Exército vulnerável".
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