Panorama internacional

Noam Chomsky: Europa sofrerá declínio e desindustrialização se ficar no sistema dominado pelos EUA

A Europa vai passar por um provável declínio e desindustrialização se optar por permanecer dentro do sistema dominado pelos EUA, disse o renomado acadêmico e filósofo norte-americano Noam Chomsky à Sputnik.
Sputnik
"A Europa tem uma decisão importante a tomar: será que vai permanecer dentro do sistema dominado pelos EUA, enfrentando um provável declínio a até mesmo, alguns preveem, desindustrialização? Ou vai se adaptar de alguma forma ao seu parceiro econômico no Leste, rico em recursos minerais que a Europa precisa e uma porta de entrada para o lucrativo mercado da China?", questiona Chomsky.
O especialista observou que essas questões têm surgido de uma forma ou de outra desde a Segunda Guerra Mundial.

Ao ser perguntado se ele acha que estamos no limiar de uma nova ordem mundial e se o conflito ucraniano pode ser um catalisador para grandes mudanças, Chomsky disse: "Há muita controvérsia sobre a forma do sistema mundial emergente." Chomsky explicou que as alternativas básicas são um sistema multipolar baseado nas Nações Unidas ou um sistema unipolar "baseado em regras", no qual os EUA definem as regras e, como a história tem mostrado, as despreza quando quer.

O acadêmico e filósofo disse ainda que tem esperança de que a Europa se incline para a visão do ex-líder soviético Mikhail Gorbachev de criar "'um lar europeu comum' de Lisboa a Vladivostok sem alianças militares e fazendo esforços comuns para avançar em direção a um futuro social-democrata".
Os EUA escolheram seguir a opção atlantista, baseada na OTAN, que recentemente foi expandida na região do Indo-Pacífico em uma tentativa liderada por Washington para envolver a Europa em seu confronto com a China, observou ele.
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"Espero que o futuro tenda para a visão de Gorbachev, antes que seja tarde demais", acrescentou o filósofo. Chomsky observou que o ex-presidente dos EUA George H.W. Bush e o antigo líder soviético Mikhail Gorbachev concordaram que a Alemanha deveria ser unificada e se juntar à OTAN, mas a aliança militar não deveria se estender nem "uma polegada para Leste" da Alemanha.
"Os documentos, que são claros e inequívocos, estão disponíveis no site do Arquivo de Segurança Nacional. O presidente Bush cumpriu o acordo", disse Chomsky.
Entretanto, disse ele, o sucessor de Bush, Bill Clinton, violou o acordo, ignorou as fortes objeções de diplomatas de alto nível dos EUA e de uma ampla gama de analistas políticos, que alertaram que as ações para expandir a OTAN eram imprudentes e provocativas.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, apelou repetidamente à formação de uma Europa unida e pacífica, de Lisboa a Vladivostok.
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