Operação militar especial russa

Estratégia ocidental na Ucrânia está falhando, segundo jornalista alemão

O Ocidente enfrenta na Ucrânia uma série de momentos desagradáveis, escreve o famoso jornalista alemão Gabor Steingart na revista Focus.
Sputnik
A linha de frente é longa demais, o equipamento militar da Ucrânia é insuficiente, as sanções antirrussas não têm efeito, o Ocidente gasta meios financeiros enormes no conflito, o apoio público está enfraquecendo e a OTAN mostra unidade apenas em palavras. Portanto, agora tudo indica que a Ucrânia está se movendo em direção à paz – nos termos russos.
Como observa o autor do artigo, nem tudo está bem na Ucrânia, não apenas na opinião pública ou no campo de batalha – muito está ligado à reação do Ocidente, verbosa e ineficaz. De acordo com Gabor Steingart, para o Ocidente há agora oito coisas desagradáveis sobre a Ucrânia.
Em primeiro lugar, a linha da frente é longa demais para o relativamente pequeno Exército ucraniano fazer qualquer progresso no terreno – ela atinge cerca de 1.300 km. "A Ucrânia parece cada vez mais um Estado em colapso", escreve o jornalista alemão.
Além disso, as áreas em redor de Lugansk, Donetsk e Melitopol, bem como a cidade portuária de Mariupol, foram perdidas. A usina nuclear de Zaporozhie, no sul da Ucrânia, é controlada pela Rússia. A reconquista da Crimeia não é possível com o equipamento militar atualmente disponível, observa Steingart.
Em segundo lugar, especialistas independentes – pelo menos independentes do governo ucraniano – também acreditam que o equipamento militar da Ucrânia é insuficiente. O chefe da empresa Rheinmetall diz que a Ucrânia precisará de várias vezes mais tanques do que antes.
O ex-general Egon Ramms confirma esta avaliação: "Para que a operação [de contraofensiva] ucraniana comece a se mover novamente, mais tanques de combate e veículos de combate de infantaria são necessários para a luta móvel com as armas estacionárias. Além de artilharia de longo alcance e equipamentos de defesa antiaérea ainda mais avançados".
Em terceiro lugar, as sanções econômicas não tiveram nenhum efeito na Rússia que pudesse forçar Putin a se render, continua o jornalista alemão em seu artigo. Neste ano e no próximo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento do produto interno bruto (PIB) russo de 0,7% e 1,3%.
Produtos ocidentais importantes, como componentes eletrônicos para fins militares, entram na Rússia através de países como o Irã ou os Emirados Árabes Unidos. Moscou pode vender seu petróleo e gás não no Ocidente, mas na Índia e na China. Em geral, ela adquire novos clientes.
Gabor Steingart formulou o quarto momento desagradável para o Ocidente como uma pergunta: a Rússia tornou-se "pária da comunidade mundial" após o início da operação especial na Ucrânia, como o Ocidente queria? A maioria da comunidade internacional considera que a América também não é inocente neste conflito.
Além disso, Putin conseguiu conquistar um jogador importante nas relações com a China. Mais recentemente, Xi Jinping nomeou o líder do Kremlin como seu "amigo valioso". Encorajado por isso, o embaixador chinês na França Lu Shaye disse que em relação às antigas repúblicas da União Soviética, incluindo a Crimeia, "não existe nenhum acordo internacional que determine o status de qualquer uma delas como uma nação soberana".
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Como sexto ponto, o autor do artigo observa o fato de que hoje o Ocidente – todos os aliados combinados – investiu no conflito ucraniano, nem sequer US$ 55 bilhões (R$ 278,56 bilhões), como afirma o vice-ministro das Relações Exteriores ucraniano Andrei Melnik, mas várias vezes mais na forma de assistência direta, anulação dos investimentos ocidentais na Rússia e consequências econômicas das sanções ocidentais.
Segundo o Instituto de Economia Mundial de Kiel, só os EUA e a UE já prometeram mais de 130 bilhões de euros de apoio financeiro à Ucrânia. O preço do sucesso está subindo, mas o sucesso ainda não é alcançado, lamenta o jornalista alemão.
Outro fator que é muito tenso para o Ocidente é que o público pró-ucraniano já esfriou em relação a esse conflito. Na sociedade americana o apoio à Ucrânia em fevereiro caiu abaixo de 50%, ante 60% em maio de 2022. Por exemplo, na Alemanha 30% acreditam que as sanções contra a Rússia não valem o impacto econômico que elas têm sobre os preços alemães de energia e alimentos.
O sucesso mais notável dos últimos tempos tem sido a unidade da OTAN, que, no entanto, só existe retoricamente, diz Gabor Steingart. Na realidade, nem todos os aliados fornecem armas para Kiev de modo igual.
Além disso, o presidente francês, Emmanuel Macron deixou claro recentemente que sua visão do papel da América difere significativamente da posição da OTAN. Em relação ao papel da China e da Europa no conflito de Taiwan, o presidente francês disse que seria paradoxal para a Europa considerar-se "por puro pânico" uma companheira apenas da América.
Assim, o Ocidente, com toda a sua unidade, está perdendo seu caminho, conclui Steingart em seu artigo para a revista Focus. Os suprimentos de armas ocidentais, se comparados com a força do Exército russo, são muito pequenos, as sanções são muito ineficazes e um plano de paz está completamente ausente. Portanto, os aliados da Ucrânia precisam mudar sua estratégia, aponta o jornalista alemão: caso contrário, Kiev se tornará uma nova Cabul para o Ocidente.
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