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Joias sauditas para Michelle: Bolsonaro diz que peças de luxo seguiriam para 'acervo da República'

Governo Bolsonaro teria tentado de quatro formas diferentes entrar no Brasil com joias - dadas pelo governo saudita à ex-primeira-dama - sem as declararar após os artigos terem sido barrados pelo Fisco, uma vez que no país qualquer peça com valor acima de R$ 5 mil tem que ser declarada e as peças valem R$ 16,5 milhões.
Sputnik
Mesmo após o fim do seu governo, a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro continua a dar o que falar. Segundo reportagem publicada pelo Estado de São Paulo ontem (3), o governo Bolsonaro tentou entrar no Brasil, de maneira ilegal, com joias de diamantes avaliadas em € 3 milhões, o equivalente a R$ 16,5 milhões.
Hoje (4), o ex-presidente alegou que os objetos seriam analisados para incorporação "ao acervo privado do Presidente da República ou ao acervo público da Presidência da República", segundo a Folha de São Paulo.
As joias em questão, seriam um presente do governo da Arábia Saudita à então primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Porém, no Brasil, é obrigatória a declaração ao Fisco de qualquer bem que entre no país cujo valor seja superior a US$ 1 mil (cerca de R$ 5 mil).
A ex-primeira-dama negou nas redes sociais ser dona das joias, mas não deu mais explicações e ironizou: "Quer dizer que 'eu tenho tudo isso' e não estava sabendo? Meu Deus! Vocês vão longe mesmo hein?! Estou rindo da falta de cabimento dessa impressa [sic] vexatória".
A tentativa de entrada no país com as joias sem serem declaradas aconteceu em outubro de 2021 e os artigos de luxo estavam na mochila de um militar, que à época era assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, de acordo com a Folha.
O militar responsável pela mochila compunha a comitiva de Albuquerque, que esteve em Riad entre 22 e 25 de outubro de 2021, segundo sua agenda oficial. Nesse período, Bolsonaro estava no Brasil, onde participou de almoço na Embaixada da Arábia Saudita em Brasília no dia 25.
A mídia também destaca que na época, a Petrobras havia acabado de fechar negócio e vendido uma refinaria por US$ 1,8 bilhão (R$ 9,35 bilhões) para um grupo saudita.
Segundo a reportagem, houveram quatro tentativas frustradas do governo Bolsonaro para reaver os adornos que envolveram os ministérios da Economia, Minas e Energia e Relações Exteriores e o próprio gabinete do então presidente.
Ao Estadão, Bento Albuquerque disse que a remessa era um presente para Michelle, mas afirmou desconhecer o conteúdo do estojo de joias. Procurado posteriormente pela Folha, Albuquerque negou que sua equipe tenha tentado trazer presentes caros destinados a Bolsonaro e a Michelle.
Na noite de ontem (3), o ministro da Justiça e Segurança Pública de Lula, Flávio Dino, disse que vai acionar a Polícia Federal para apurar o caso.
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