Panorama internacional

Quais os interesses dos EUA no titânio da Ucrânia?

Para além dos ganhos com a indústria bélica privada norte-americana e do declarado objetivo de conter a Rússia, os EUA têm outros interesses na Ucrânia, principalmente quando o assunto é "titânio, petróleo e gás", diz analista internacional entrevistada pela Sputnik Brasil.
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A revista Newsweek revelou na semana passada que os EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) têm interesse nas grandes reservas de titânio da Ucrânia.
Isso ocorre porque a Ucrânia é um dos sete países que produzem esponja de titânio, a base para a fabricação de placas de titânio. A China, que representa 57% da produção global do minério, e a Rússia, com 13%, também fazem parte do seleto grupo.
Esse fator geográfico coloca Washington em uma situação delicada, pois os EUA importam mais de 90% desse mineral para sua indústria de aviação, tecnologia e armas, enquanto travam uma guerra comercial, por meio de sanções, contra Moscou e Pequim.
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Além disso, os Estados Unidos não possuem mais esponja de titânio em seu estoque de defesa nacional e o último produtor doméstico fechou em 2020, embora o titânio esteja entre os 35 minerais de grande importância para a economia e segurança nacional do país.
A Sputnik Brasil conversou com a pesquisadora Nathana Garcez Portugal, doutoranda em relações internacionais pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas, que explicou as razões por trás do interesse dos EUA no conflito da Ucrânia, sobretudo quando o assunto é o parque mineral ucraniano.
Ela apontou que, do ponto de vista mais prático, o titânio tem duas importantes características: é um material extremamente resistente e é 45% mais leve do que outros materiais resistentes, como o aço.
Presidente ucraniano, Vladimir Zelensky (à esquerda) sorri para seu homólogo norte-americano, Joe Biden, durante visita à Casa Branca. Washington, EUA, 21 de dezembro de 2022

"Portanto ele tem sido muito utilizado para produções no campo militar, como aviões, helicópteros de guerra, navios, tanques e até mísseis de longo alcance", disse a pesquisadora.

Para ela, essa é uma das razões do interesse dos EUA na Ucrânia, porque faz parte das diretrizes do governo norte-americano "tornar-se menos dependente das outras potências e priorizar relações comerciais com a Ucrânia nesse campo".
A analista explicou que existem outras riquezas naturais ucranianas que podem interessar aos EUA, como grãos de milho e trigo, "por serem essenciais para diversos grupos alimentícios e, portanto, terem impacto inflacionário mundial"; petróleo e gás natural; e "titânio, aço, níquel, paládio e cobre".
Nesse sentido, Nathana Garcez concluiu dizendo que o governo norte-americano encontrou um aliado em Vladimir Zelensky, presidente da Ucrânia.

Para ela, "o governo de Zelensky tem se proposto a ser um parceiro próximo dos EUA e da União Europeia e ativamente tem procurado estabelecer relações comerciais mais próximas com os dois atores".

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