Ciência e sociedade

Descobrem na China o mais antigo cérebro fossilizado em verme que existiu há 500 milhões de anos

Embora tenha sido inicialmente presumido que os cérebros não fossilizam, a nova pesquisa oferece evidências que provam o contrário.
Sputnik
Um fóssil de uma criatura que existiu há milhões de anos pode ter fornecido novas pistas sobre a evolução dos cérebros dos artrópodes, sugere um estudo publicado na revista Science.
O fóssil foi descoberto na província chinesa de Yunnan e pertencia a uma das criaturas extintas semelhantes a vermes conhecidas como lobopodianos, que existiram durante o período Cambriano, ou seja, há cerca de 500 milhões de anos.
Tendo estudado os restos da criatura Cardiodictyon catenulum, uma equipe de cientistas anunciou a descoberta de um sistema nervoso e cérebro "compreendido por três domínios cefálicos, distintos do sistema nervoso ventral metamérico servindo seu tronco apendicular".
"De acordo com o nosso conhecimento, este é o cérebro fossilizado mais antigo que conhecemos até agora", disse Nicholas Strausfeld, professor do Departamento de Neurociência da Universidade do Arizona e coautor do estudo.
Frank Hirth do King’s College de Londres, outro autor da pesquisa, apontou que anteriormente se acreditava que os cérebros não fossilizavam.
"Então, em primeiro lugar você não esperaria encontrar um fóssil com um cérebro", acrescentou. "Em segundo, esse animal é tão pequeno que você nem ousaria examiná-lo na esperança de encontrar um cérebro."
Os pesquisadores disseram que as suas descobertas ajudam a resolver um debate sobre a origem e composição das cabeças dos artrópodes.
Nesse sentido Hirth observa que inicialmente os biólogos "chegaram a supor que a cabeça é uma extensão dianteira de um tronco segmentado". "Mas o Cardiodictyon demonstra que a cabeça primitiva não era segmentada, nem o seu cérebro, o que sugere que o cérebro e o sistema nervoso do tronco provavelmente evoluíram separadamente", disse Strausfeld em um comunicado de imprensa da Universidade do Arizona.
Comentar