Panorama internacional

CEO da Saudi Aramco: congelamento de contas de energia na UE não é 'solução de longo prazo'

Os consumidores em alguns países da União Europeia (UE) enfrentam altas contas de energia devido a um aumento nos preços do gás no mercado. Alguns deles culpam a Rússia, embora os preços tenham começado a subir no ano passado. Moscou apontou que a oposição da UE ao combustível russo desempenha um papel importante na situação atual.
Sputnik
O CEO da gigante global de energia Saudi Aramco, Amin Nasser, criticou as medidas da UE propostas para enfrentar a atual crise de energia. Ele argumentou que impor maiores impostos às empresas de energia, quando os países igualmente exigem aumentos de produção, é uma má ideia e não vai ajudar a resolver o problema.
Nasser também identificou que a outra medida sugerida – redistribuir os lucros do novo imposto inesperado entre os cidadãos carentes – "nada útil" em termos de enfrentamento à crise de energia.
"Congelar ou limitar as contas de energia pode ajudar os consumidores no curto prazo, mas não aborda as causas reais e não é a solução de longo prazo", disse o CEO.
Nasser argumentou que o baixo investimento na extração de hidrocarbonetos foi a causa raiz da crise atual, resultado da escassez de combustível fóssil em comparação com a crescente demanda global. Ele caracterizou os investimentos em extração como "muito pouco, muito tarde, muito curto prazo" em um momento em que as fontes alternativas de energia verde ainda são escassas.
O CEO da Saudi Aramco sugeriu que a demanda deve persistir apesar da turbulência econômica global, consumindo as poucas linhas de oferta adicionadas que surgiram no mercado.
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Alta nos preços da energia ajuda Gazprom a dobrar receitas mesmo com queda de exportações
"Quando a economia global se recuperar, podemos esperar que a demanda se recupere ainda mais, eliminando a pouca capacidade de produção de petróleo disponível. É por isso que estou seriamente preocupado", alertou Nasser.
Ao mesmo tempo, o chefe da gigante da energia rejeitou as alegações de que o conflito na Ucrânia exacerbou ou causou a crise energética. Nasser enfatizou que mesmo que o conflito terminasse hoje, a crise persistiria, já que suas raízes são mais profundas.
Os países da UE, que estão sofrendo o maior golpe da crise energética causada pela disparada dos preços do gás antes do inverno, culpam a operação militar especial russa na Ucrânia. O Kremlin, por sua vez, apontou para o problema que as sanções antirrussas ocidentais causam, ao impedir a manutenção das turbinas Nord Stream 1 (Corrente do Norte 1) no exterior. A falha na manutenção das turbinas fez com que a gigante russa de gás Gazprom interrompesse o funcionamento do gasoduto em setembro, reduzindo severamente as exportações de gás para o continente.
Além disso, muitos países europeus recusaram a exigência do Kremlin de pagar pelo gás convertendo euros em rublos em um banco russo. Moscou disse que a mudança para pagamentos em rublos foi motivada pelas sanções europeias.
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