Panorama internacional

China e EUA firmam acordo histórico que permite a Washington acesso a papéis de auditoria chinesa

Acordo marca degelo parcial nas relações EUA-China em meio às tensões sobre Taiwan e será alívio para centenas de empresas chinesas e bolsas dos EUA, dando a Pequim a chance de manter acesso aos mercados de capitais mais profundos do mundo se funcionar na prática.
Sputnik
Nesta sexta-feira (26), Washington e Pequim deram um grande passo para encerrar uma disputa que ameaçava expulsar empresas chinesas, incluindo Alibaba, das bolsas de valores dos EUA, assinando um pacto para permitir que reguladores dos EUA examinem empresas de contabilidade na China e Hong Kong.
De acordo com a Reuters, a princípio, o acordo parece dar ao Conselho de Supervisão de Contabilidade de Empresas Públicas (PCAOB, na sigla em inglês), o que ele exige há muito tempo: acesso total aos papéis de trabalho de auditoria chineses sem redação, o direito de obter depoimentos de funcionários da empresa de auditoria na China e o exclusivo critério de selecionar quais empresas inspecionar.
Os reguladores norte-americanos exigem há mais de uma década o acesso a documentos de auditoria de empresas chinesas listadas nos EUA, mas Pequim relutou em permitir que reguladores estrangeiros inspecionem suas empresas de contabilidade, citando preocupações de segurança nacional.
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Caso contrário, cerca de 200 empresas chinesas podem ser banidas das bolsas dos EUA, disse o presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), Gary Gensler citado pela mídia. A agência identificou anteriormente o Alibaba Group, JD.Com Inc e NIO INC entre aqueles em risco.
Ao anunciar o acordo, as autoridades estadunidenses fizeram uma nota cautelosa, alertando que era apenas um primeiro passo e que sua visão sobre o cumprimento do mesmo por parte do gigante asiático seria determinada pela capacidade de conduzir suas inspeções desobstruídas, como promete o acordo.
"Este acordo será significativo apenas se o PCAOB realmente puder inspecionar e investigar completamente as empresas de auditoria na China", disse Gensler.
A Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC, na sigla em inlês) disse que o acordo foi um passo importante para abordar a questão da auditoria e beneficiou investidores, empresas e ambos os países.
Nesta sexta-feira (12), cinco das maiores empresas estatais da China anunciaram planos de sair das bolsas de Nova York nos EUA. Juntas, as empresas têm US$ 318,5 bilhões (1,63 trilhões) em valor de mercado antes de serem retiradas da lista pelos EUA, conforme noticiado.
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