Panorama internacional

Pequim reage ao plano comercial 'ambicioso' dos EUA para Taiwan

Um alto funcionário chinês acusou Taiwan de "conluio com forças externas" em meio à escalada de tensões na Ásia-Pacífico depois da visita da presidente da Câmara dos Representantes norte-americana, Nancy Pelosi, à ilha.
Sputnik
A China denunciou as próximas negociações comerciais entre os EUA e Taiwan, instando os dois lados a cancelar os planos depois que Washington estabeleceu "objetivos amplos" para futuros acordos com a ilha.
Na quinta-feira (18), a porta-voz do Escritório de Assuntos de Taiwan da China, Ma Xiaoguang, reagiu a uma declaração norte-americana sobre negociações comerciais com Taipé emitida no início desta semana, insistindo que tais negociações violariam garantias anteriores dos EUA sobre o assunto.
"Pedimos aos EUA que cumpram o princípio de Uma Só China e os três comunicados conjuntos sino-americanos com ações concretas. As tentativas de jogar a 'carta de Taiwan' para impedir a reunificação da China e o rejuvenescimento nacional não terão sucesso", disse Ma, acrescentando que o Partido Democrático Progressista de Taiwan "conluiu com forças externas, traiu os interesses do povo da ilha e buscou interesse político próprio".
Os comentários vieram menos de 24 horas depois que o escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) divulgou um documento delineando um "roteiro ambicioso" para as negociações, que observa que as reuniões poderiam começar já nos próximos meses.
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"Os Estados Unidos e Taiwan [...] estabeleceram uma agenda robusta para negociações", disse o escritório, listando várias áreas que seriam abordadas durante as negociações, incluindo "facilitação comercial, boas práticas regulatórias, fortes padrões anticorrupção" e "aumentar o comércio entre nossas pequenas e médias empresas".
"Planejamos seguir um cronograma ambicioso para alcançar compromissos de alto padrão e resultados significativos", acrescentou o USTR.
As tensões entre Washington e Pequim aumentaram nas últimas semanas após várias reuniões entre autoridades norte-americanas e taiwanesas, incluindo uma visita de alto nível da presidente da Câmara, Nancy Pelosi. As viagens desencadearam exercícios militares sem precedentes das forças chinesas no ar e nas águas ao redor da ilha, com o governo chegando a afirmar que estava realizando um exercício de "bloqueio".
Enquanto a China considera a ilha como parte de seu território, Taiwan é governada de forma autônoma desde o fim da Guerra Civil Chinesa em 1949, quando a facção nacionalista do Kuomintang foi derrotada pelos comunistas no continente e forçada a fugir. A administração local continuou a se referir à ilha como a "República da China" desde então, embora tenha sido formalmente reconhecida por apenas um punhado de países estrangeiros.
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