Notícias do Brasil

EUA propõem cortar assistência ao Brasil na Defesa se Forças Armadas intervierem nas eleições

O projeto norte-americano deixa clara a percepção internacional de que os militares do país podem agir contra as suas instituições democráticas. Resolução seria uma emenda à lei que autoriza o Orçamento de Defesa norte-americano para o ano de 2023.
Sputnik
Uma proposta feita pelo deputado federal Tom Malinowski, de Nova Jersey, na última terça-feira (5) pressiona as Forças Armadas do Brasil a não interferirem nas eleições presidenciais de outubro, vinculando a assistência ao país na área de defesa à neutralidade eleitoral de seus militares, assim como determina a Constituição.
De acordo com o jornal O Globo, a emenda 893 à lei que autoriza o Orçamento de Defesa norte-americano para o ano de 2023 estipula que, após as eleições presidenciais brasileiras, o Departamento de Estado terá 30 dias para apresentar um relatório ao Congresso sobre as ações tomadas pelas Forças Armadas durante o pleito.
Caso seja constado que houve interferência, o projeto prevê a descontinuação da ajuda de segurança caso se determine que a instituição militar teve "papel decisivo" nas eleições ou promoveram um "golpe de Estado".
A avaliação estadunidense ocorrerá a partir de cinco pontos:
Se as Forças Armadas "interferiram, impediram ou obstruíram a votação, operações de contagem ou operações eleitorais por autoridades eleitorais independentes";
"manipularam, procuraram manipular ou cancelaram os resultados das eleições";
"envolveram-se em esforços coordenados de informação ou comunicação para minar a fé popular e a confiança em autoridades eleitorais independentes ou questionaram a validade dos resultados eleitorais";
Se "usaram mídias sociais ou outros sistemas de comunicação de massa, incluindo aplicativos de mensagens móveis, para tentar influenciar opiniões generalizadas sobre a validade dos resultados eleitorais ou com relação à conveniência de qualquer resultado específico";
E por fim se "encorajaram, incitaram ou facilitaram atividades ou rebeliões em relação aos processos eleitorais, a apurações eleitorais ou a resultados eleitorais, antes e depois das eleições presidenciais".
Ainda segundo a mídia, o projeto recebeu o apoio dos deputados democratas Albio Sires (Nova Jersey), Joaquín Castro (Texas), Susan Wild (Pensilvânia), Ilhan Omar (Minnessota) e Hank Johnson (Geórgia), que aparecem como coproponentes.
Assim como o Orçamento de Defesa, a proposta precisa ser aprovada pelo Congresso até outubro, quando começa o ano fiscal.
Notícias do Brasil
Mídia: generais das Forças Armadas do Brasil compartilham conteúdo de extrema direita no Twitter
Atualmente, mais de seis mil militares ocupam cargos comissionados no governo federal, incluindo diversos ministros. Na última semana de junho, o general aposentado Braga Netto, que foi ministro da Defesa de Bolsonaro e é pré-candidato a vice-presidente na mesma chapa, afirmou a empresários que "não tem eleição" caso não haja "auditoria" dos votos.
Comentar