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Crise de energia: Alemanha volta a usar carvão para minimizar escassez de gás natural russo

Em meio à crise energética que assola a Europa, o ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, chamou a decisão de "amarga", mas "necessária".
Sputnik
A Alemanha vai ter que aumentar o uso de carvão para a produção de eletricidade com objetivo de compensar a escassez de gás natural da Rússia, disse o ministro da Economia, Robert Habeck, em um documento divulgado no domingo (19) e citado pela Deutsche Welle.
"Para reduzir o consumo de gás, menos gás deve ser usado para gerar eletricidade. As usinas a carvão terão que ser mais usadas", disse o ministro à mídia. Ele lamentou a necessidade de se usar mais carvão para produzir eletricidade, pois a Alemanha, juntamente com outros Estados da União Europeia (UE), vem tomando medidas para reduzir o uso do "combustível sujo", altamente poluente, e avançar para a energia verde, mas, segundo Habeck, a situação atual é séria demais para que sejam exigentes.

"Isso é amargo, mas é simplesmente necessário nesta situação para diminuir o uso de gás", disse ele. Berlim está ansiosa para tornar a produção de energia no país livre de carvão até 2030, mas, dadas as circunstâncias, esse objetivo pode ter que ser alterado.

O ministro também observou que mais gás deve ser trazido para as instalações de armazenamento, ou "será muito apertado no inverno".
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As instalações de armazenamento de gás na Alemanha estão abastecidas a cerca de 57% no momento, de acordo com a mídia alemã, citando a Agência Federal de Redes. Enquanto isso, de acordo com a agência, o Ministério da Economia alemão está trabalhando em um novo regulamento para estabelecer uma "reserva de reposição de gás" através da modernização de usinas de energia para serem transformadas em locais de armazenamento. Vários outros mecanismos estão em andamento, incluindo um leilão de gás e um empréstimo no valor de € 15 bilhões (aproximadamente R$ 81,7 bilhões) para a compra de gás adicional.
As declarações do ministro se seguem à decisão da Gazprom da Rússia de cortar as entregas de gás natural para a Alemanha através do gasoduto Nord Stream (Corrente do Norte) em 60% depois que a fornecedora de manutenção alemã Siemens não devolveu as unidades de bombeamento após reparos devido a sanções canadenses.
Habeck, no entanto, classificou essa decisão como política e ligada às tensões entre a Rússia e o Ocidente sobre a operação militar especial de Moscou na Ucrânia.
"Obviamente, é a estratégia do [presidente russo Vladimir] Putin [...] elevar os preços [da energia] e nos dividir", disse ele em comunicado separado à mídia na semana passada.
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