Panorama internacional

Premiê português afirma que UE corre risco de criar 'falsas expectativas' com candidatura da Ucrânia

Primeiro-ministro de Portugal, António Costa, acredita que o bloco deveria se concentrar em dar apoio prático a Kiev em seu confronto com a Rússia.
Sputnik
A União Europeia deveria se concentrar em fornecer ajuda imediata à Ucrânia, em vez de se envolver em "debates legais" sobre a designação do país como candidato à adesão, afirmou o primeiro-ministro de Portugal ao Financial Times (FT) nesta terça-feira (14).
Para Costa, colocar Ucrânia na posição de candidato à adesão ao bloco – tema que vai ser tratado na próxima cúpula em Bruxelas, nos dias 23 e 24 de junho – significaria criar "falsas expectativas" de que as questões mais urgentes do país seriam resolvidas. Segundo ele, a discussão poderia apenas expor as divisões internas do bloco, favorecendo o posicionamento adotado pelo presidente russo, Vladimir Putin, na crise europeia.
O premiê, no entanto, apoiou uma "perspectiva europeia" para a Ucrânia e não se opôs explicitamente ao status de candidato, dizendo que estava aguardando uma avaliação da Comissão Europeia nesta semana.
"Meu foco é obter, no próximo Conselho Europeu, um compromisso claro sobre o apoio urgente [ao país] e construir uma plataforma de longo prazo para apoiar a recuperação da Ucrânia", disse ele ao FT em Londres. "Esta é a minha principal prioridade. O mais importante não são os debates legais sobre a Ucrânia, mas as entregas práticas."
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"Para esse apoio claro e imediato, não precisamos abrir, neste momento, uma negociação ou procedimento que levará muitos anos – [o presidente francês Emmanuel] Macron diz décadas, não diria décadas – mas certamente muito, muito tempo. O grande risco é criar falsas expectativas que se tornam amargas decepções. Menos debates jurídicos, mais soluções práticas", afirmou Costa.
Primeiro-ministro de Portugal desde novembro de 2015, o socialista António Costa se tornou o líder de governo de centro-esquerda mais antigo da Europa e já é cotado como futuro candidato a um dos principais cargos da UE.
Para o premiê, a unidade demonstrada pelo bloco europeu, desde o lançamento da operação militar especial de Moscou na Ucrânia, foi uma "derrota" para o Kremlin.
"O melhor apoio que a União Europeia pode dar à Ucrânia é manter sua unidade. O melhor que podemos oferecer é a unidade europeia", afirmou.
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu fortemente a adesão da Ucrânia, algo que deve recomendar formalmente na próxima sexta-feira (17), mesmo com alguma oposição dentro do bloco.
"Precisamos encontrar formas diferentes de sermos parceiros, aliados e amigos no mesmo continente", disse Costa ao referir-se à ideia de Macron para uma comunidade política mais flexível na Europa, que inclua países cujos critérios de adesão não possam ser atendidos integralmente.
Em Londres para assinar um acordo bilateral com o Reino Unido destinado a impulsionar o comércio, o primeiro-ministro português se recusou repetidamente a comentar sobre a ameaça do governo do Reino Unido de anular o protocolo que rege o comércio com a Irlanda do Norte, uma parte crucial do acordo britânico do Brexit com a UE, dizendo que era papel da comissão "negociar" os assuntos da UE com Londres.
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