Panorama internacional

Documentos vazados expõem 'Ministério da Verdade' dos EUA

Arquivos de denúncias sugerem que o governo norte-americano procurou "operacionalizar" sites de mídia social para combater suposta desinformação.
Sputnik
O governo dos EUA planejava usar seu agora arquivado Conselho de Governança da Desinformação (DGB, na sigla em inglês) para fazer com que as plataformas de mídia social removessem postagens que o governo considerava falsas, de acordo com documentos vazados obtidos por parlamentares da oposição.
Os senadores republicanos Chuck Grassley (Iowa) e Josh Hawley (Missouri) citaram os arquivos dos denunciantes em uma carta aberta ao chefe do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), Alejandro Mayorkas, publicada na última quarta-feira (8), na qual eles pressionaram por mais detalhes sobre o polêmico DGB.
O departamento "planejou coordenar esforços para alavancar os laços com as plataformas de mídia social para permitir a remoção de conteúdo de usuários", disseram os senadores em um comunicado à imprensa, acrescentando que ele buscava usar sites de big techs para "fazer cumprir sua agenda".
Lançado pela primeira vez em abril, o conselho foi rapidamente interrompido após uma forte reação pública, quando os críticos o compararam a um "Ministério da Verdade" estatal. Os legisladores disseram que os documentos vazados levantaram "sérias preocupações" sobre a iniciativa.
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"O DGB foi criado para servir muito mais do que um simples 'grupo de trabalho' para 'desenvolver diretrizes, padrões [e] proteções' para proteger os direitos civis e as liberdades civis", escreveram eles. "Na verdade, os documentos do DHS mostram que o DGB foi projetado para ser o aglomerado central do departamento, câmara de compensação e defensor para a política da Administração e responder a qualquer coisa que ele decidisse ser 'desinformação'."
Grassley e Hawley argumentaram que o governo Biden não apresentou uma definição clara de "desinformação" e que o conselho do DHS mostrou um sério preconceito mesmo em seus estágios iniciais, apesar das garantias de que permaneceria apolítico.
Em particular, eles apontaram para a autora e "associada de desinformação" Nina Jankowicz, escolhida para chefiar o DGB, alegando que ela é "uma traficante conhecida de desinformação estrangeira e teorias de conspiração liberais".
Jankowicz pode ter sido contratada principalmente devido a "seu relacionamento com executivos no Twitter", alegaram os senadores, acrescentando que os documentos vazados mostram que a Casa Branca planejava "operacionalizar" conexões com empresas de mídia social para "implementar seus objetivos de políticas públicas".
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As notas preliminares do briefing preparadas no final de abril indicam que um alto funcionário do DHS, Robert Silvers, planejava se reunir com executivos do Twitter para discutir o conselho de desinformação, embora ainda não esteja claro se a reunião agendada aconteceu.
Os dois senadores pediram que Mayorkas divulgasse mais informações sobre os objetivos do departamento para o DGB, incluindo se alguma vez pediu às empresas de mídia social que "censurassem, sinalizassem, adicionassem contexto ou removessem" postagens de usuários ou banissem contas. Eles também solicitaram documentos e comunicações relacionados a Jankowicz e pediram ao governo que desse sua definição de desinformação acionável, dizendo que deveria "identificar quem exatamente é o responsável final por fazer essa determinação".
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