Panorama internacional

Erdogan declara que primeiro-ministro da Grécia 'não existe mais' para ele

O líder turco expressou desagrado com Kyriakos Mitsotakis, primeiro-ministro grego, que falou no Congresso dos EUA exortando a legislatura americana a não vender armas a Ancara.
Sputnik
Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, atacou na segunda-feira (24) Kyriakos Mitsotakis, primeiro-ministro da Grécia, o qual acusou de antagonizar Ancara.
"Para mim não existe mais um Mitsotakis assim. Nunca concordarei em ter tal reunião com ele, porque só trilhamos o mesmo caminho que os políticos que cumprem suas promessas, têm caráter e são honráveis", disse o alto responsável turco em um discurso televisionado após sua reunião de gabinete.
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Durante visita aos EUA na semana passada, Mitsotakis instou o Congresso do país a não vender equipamentos militares à Turquia, argumentando que a medida só fomentaria a instabilidade na região.
"Tínhamos concordado com ele em não incluir países terceiros em nossa disputa. Apesar disso, na semana passada ele visitou os EUA e falou no Congresso, e os advertiu para não nos dar os F-16", disse Erdogan, acrescentando que Washington muito provavelmente tomará por si só a decisão sobre a venda dos aviões à Turquia, "sem a necessidade de consultar o primeiro-ministro grego".
Erdogan criticou também Atenas por estabelecer bases militares em seu território, que ele acredita serem dirigidas contra a Turquia.
"Existem atualmente dez bases na Grécia. Por que essas bases estão sendo criadas na Grécia? Contra quem? No momento, a Grécia deve € 400 bilhões [R$ 2,06 trilhões] aos países europeus", questionou ele.
O líder turco ainda acusou a Grécia de abrigar seguidores do clérigo Fethullah Gulen, que Ancara considera o "cérebro" do golpe militar fracassado em 2016. O movimento de Gulen é chamado de terrorista pelas autoridades turcas.
Como resultado, Erdogan anunciou o cancelamento de uma reunião-chave sobre cooperação estratégica entre os dois países, que estava marcada para o final deste ano.
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