Panorama internacional

Membro da OPEP alerta: preços vão aumentar 300% se EUA aprovarem lei para controlar organização

Washington vem reforçando a pressão sobre o grupo para aumentar a produção de petróleo e compensar a crise de combustíveis intensificada pelas sanções ocidentais ao petróleo russo.
Sputnik
Membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) criticaram as novas tentativas legislativas dos Estados Unidos de controlar a produção e os preços mundiais do petróleo, assegurando que tais esforços causariam caos no mercado de energia.
Um comitê do Senado norte-americano aprovou este mês um projeto de lei que permite ações antitruste contra membros da OPEP nos tribunais dos EUA.
O regulamento em questão, denominado em tradução livre de Lei Contra Cartéis de Produção e Exportação de Petróleo (NOPEC, na sigla em inglês), permitiria aos EUA eliminar a imunidade de jurisdição da OPEP com o objetivo de processar seus membros por atividades monopolistas no setor.
O projeto de lei, apresentado pela primeira vez em 2000, nunca se tornou lei, apesar de inúmeras tentativas. Se aprovado, Washington passaria a ter capacidade de controlar a produção e os preços globais do petróleo por meio de ameaças legais contra os membros da organização.
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Para entrar em vigor, no entanto, o projeto ainda precisa ser aprovado pelo plenário do Senado e pela Câmara dos Deputados, para ser então assinado pelo presidente.
Em meio à alta de preços causada pela recuperação da economia após a pandemia de COVID-19 e pelo conflito na Ucrânia, países consumidores de petróleo, como EUA e Japão, pressionam os países da OPEP a aumentar sua produção e, assim, estabilizar preços e a inflação.
O aumento dos preços do petróleo bruto está prejudicando o mercado doméstico, os negócios e o padrão de vida em muitos países, incluindo os EUA.
Segundo dados da Associação Automobilística Americana (AAA), os preços da gasolina no país norte-americano atingiram níveis recordes. O valor médio de um galão (3,7 litros) de gasolina ficou em US$ 4,47 (cerca de R$ 22,62) neste domingo (15), o preço mais alto registrado desde 2000.
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A OPEP tem rejeitado as demandas para aumentar a produção além dos aumentos moderados já acordados pelos países-membros.
O ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazrouei, disse à CNBC nesta semana que os EUA estão visando injustamente a organização por causa da crise energética e alertou que distorcer o sistema de produção existente pode fazer disparar os preços.
"Se esse sistema for minado, deve-se ter cuidado com o que se pede, porque quando o mercado fica caótico, se verá um aumento de 200% ou 300% nos preços, que o mundo não pode suportar", disse o ministro durante um evento do World Utilities Congress realizado em Abu Dhabi.
Também esteve presente na reunião o ministro da Energia da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, que expressou preocupação com a NOPEC e exortou o mundo a "trabalhar de modo coletivo, responsável e global no abastecimento e no resgate da economia mundial".
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