Ciência e sociedade

Tunisiano recria corante roxo dos tempos bíblicos usando receita original: caramujos (FOTOS)

O exclusivo pigmento – que era difícil de produzir, possuía cor vibrante e não desbotava – se transformou em símbolo de riqueza no Mediterrâneo.
Sputnik
A tinta chamada púrpura tíria era reconhecida por não desbotar, a coloração inclusive ia se tornando cada vez mais brilhante com o tempo e a exposição ao Sol.
A tinta roxa ajudou os fenícios a estabelecerem sua grande força mercantil e instituírem colônias por diversas áreas do Mediterrâneo. Foi estudando justamente essa época da história que o tunisiano, Mouhamad Ghassen Nouira, se interessou pela pitoresca púrpura tíria.

"Este hobby começou quando eu ainda era um menino na aula de história, estudando os cananeus, os fenícios e os cartaginenses e como eles eram famosos por extrair a cor púrpura do murex. Era mais caro que ouro", disse Nouira em entrevista à Reuters.

Murex é o gênero do caramujo marinho utilizado para produzir a púrpura tíria. Anos depois, Nouria encontrou um desses caramujos mortos em uma praia na Tunísia e decidiu tentar produzir o pigmento, porém, a missão não foi fácil.
Mouhamad Nouira passou 14 anos estudando e testando diferentes técnicas para conseguir produzir a tinta. Ele comprava os caramujos que ficavam presos nas redes dos pescadores, retirava suas glândulas, quebrava as conchas e depois fermentava tudo junto e assim conseguia produzir um pouquinho do pigmento.
Mouhamad Ghassen Nouira retirando a glândula do caramujo marinho para produzir a púrpura tíria
Nouira conta que para produzir uma grama de púrpura tíria são necessários 54 quilos de caramujos. Atualmente, quem quiser comprar o pigmento milenar até consegue encontrar em alguns sites na Internet, mas precisa se preparar para desembolsar ao menos US$ 2.500 (R$ 13.000) por grama do produto.
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