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Mídia: governo chinês avisou Indonésia contra extração de gás e petróleo no mar do Sul da China

Após meses de tensão, veio à tona que a China comunicou ao governo da Indonésia de que deveria parar com as perfurações para extração de gás natural e petróleo na região do mar do Sul da China, que é disputada pelas duas nações, segundo informações exclusivas da Reuters.
Sputnik
O embate teve início quando a plataforma de perfuração Noble Clyde Boudreaux chegou ao mar de Natuna do Norte no dia 30 de junho. Essa região faz parte do mar de Natuna e fica na parte meridional do mar do Sul da China.
A Indonésia acredita ter o controle econômico da região, e inclusive renomeou parte da área como mar de Natuna do Norte em 2017, com base na Convenção das Nações Unidas referente à Lei do Mar, porém, o governo chinês não o reconhece e classifica a área como sendo parte do mar do Sul da China.
Com o início das perfurações, dados reunidos pela Reuters apontam que navios da Guarda Costeira chinesa se aproximaram da região e, dias depois, embarcações da Guarda Costeira da Indonésia também mostraram sua presença. Por quatro meses as duas forças mantiveram constante acompanhamento das movimentações na região.
As perfurações e testes terminaram no dia 19 de novembro, e a plataforma foi depois em direção ao mar da Malásia.
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No início deste ano, representantes do governo chinês haviam enviado uma carta ao Ministério das Relações Exteriores da Indonésia cobrando o fim da extração de petróleo no que seria território chinês, segundo informações da Reuters.
Muhammad Farhan, membro do Comitê de Segurança Nacional do Parlamento da Indonésia confirmou a existência de tal carta à Reuters: "Nossa resposta foi muito firme, que nós não vamos parar com as extrações porque isso é nosso direito soberano".
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Indonésia disse: "Qualquer comunicação diplomática entre países é privada em natureza e o seu conteúdo não pode ser divulgado".
Atualmente a China está em negociações com 10 países do Sudeste Asiático, incluindo a Indonésia, em uma tentativa de criar um código de conduta para a exploração do mar do Sul da China. O valor das mercadorias em trânsito pela área pode chegar aos US$ 3,4 trilhões de (R$ 19 trilhões) por ano.
De um lado, o líder chinês Xi Jinping colocou panos quentes em conferência da Associação das Nações do Sudeste Asiático, dizendo que a China "absolutamente não vai buscar a hegemonia da região, e nem praticar bullying com países de menor porte".
Em entrevista à Reuters, Muhammad Farhan explicou que o governo da Indonésia mantém a postura de evitar conflitos publicamente e que os líderes querem ser "o mais silenciosos possível, porque o vazamento [de informações confidenciais] para a mídia poderia causar um incidente diplomático".
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