Ciência e sociedade

'Horror e tragédia': arqueólogo compara erupção do Vesúvio à bomba de Hiroshima

A comparação foi feita após o estudo de restos mortais de um homem encontrados em outubro deste ano, onde seria uma praia da cidade de Herculano que foi completamente soterrada pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C.
Sputnik
O arqueólogo Domenico Camardo disse ao The Guardian que "os restos das vítimas foram encontrados em condições similares aos das vítimas da bomba atômica de Hiroshima [...] Você tem realmente uma noção de tamanho horror e tragédia".
A erupção teria produzido uma onda de calor com temperaturas entre 400 e 500 graus Celsius, o suficiente para ferver o cérebro e sangue das vítimas.
Mais detalhes foram divulgados sobre o homem encontrado na praia. Além de ter cerca de 40 anos de idade e seu esqueleto apresenta cor avermelhada, causada por manchas de sangue. Segundo os especialistas, a vítima parecia estar tentando escapar da erupção com seu tesouro.
A conservadora Nunzia Laino explicou que o homem parecia segurar uma pequena bolsa de couro com uma caixa de madeira dentro, onde estava um anel de material ainda não identificado.
"Os objetos encontrados junto do corpo da vítima são de alta complexidade. Existem também pedaços de tecido que necessitam ser recolhidos com cuidado para depois serem estudados", explicou Nunzia.
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A cidade de Herculano é vizinha à de Pompeia, também arrasada pelo vulcão, mas segundo explicações de Camardo as duas cidades foram afetadas de maneiras bem diferentes. Enquanto Pompeia foi destruída por uma chuva de cinzas, Herculano foi afetada por uma nuvem piroclástica, uma grande onda de calor com temperaturas acima dos 400 graus Celsius.
Após a erupção, uma avalanche de lama vulcânica foi expelida pelo vulcão por seis vezes, soterrando e posteriormente congelando a cidade sob a lama de 20 metros de altura.

O arqueólogo explicou ao The Guardian que este último fenômeno é a razão pela qual ainda são descobertos novos corpos e artefatos da época: "Essa inundação de lama, que depois se solidificou, permitiu a conservação de todas as relíquias orgânicas, porque o oxigênio não podia penetrar [...] por conta disso hoje nós conseguimos encontrar elementos como itens de comida, o que nunca foi encontrado em Pompeia".

As escavações em Herculano têm sido realizadas nos últimos 25 anos. A cidade, junto com Pompeia, está incluída na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
A previsão dos pesquisadores é que essa praia, onde foram feitas as recentes descobertas e segue sendo escavada, seja aberta ao público em 2024.
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