Panorama internacional

Putin: papel do BRICS deve ser mais proeminente e corresponder ao potencial de seus participantes

O papel do grupo BRICS deve ser mais visível, segundo o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que defendeu cooperação com a Índia como centro de um mundo multipolar, e também com a China.
Sputnik
O papel do grupo BRICS é corresponder ao potencial de seus participantes, defende Vladimir Putin, presidente da Rússia.
"Claro, também vamos desenvolver, dessa forma, a cooperação com o BRICS. Uma união que abarca mais de 40% da população mundial e mais de um quarto da superfície terrestre do planeta. O papel do BRICS nas questões internacionais deve ser proeminente e corresponder ao potencial em crescimento dos Estados-membros", indicou o presidente em reunião do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Putin destacou o potencial de crescimento das relações com a Índia.
"Tencionamos aumentar uma interação realmente multidimensional e bilateral. Consideramos a Índia um dos centros fortes e independentes do mundo multipolar, com filosofia em política externa e prioridades semelhantes às nossas", sublinhou ele.

Relações com o leste da Ásia

Por sua vez, o líder russo apontou que a cooperação com a China será alargada, apesar das tentativas externas que tem havido para fomentar a desunião.
"Agora as relações bilaterais atingiram o nível mais elevado em toda sua história e têm um caráter de parceria estratégica abrangente. Podemos dizer que são um modelo de interações interestatais eficazes no séc. XXI. Obviamente, nem todos gostam disso. Alguns parceiros ocidentais tentam abertamente criar uma clivagem entre Moscou e Pequim."
"Nós vemos isso perfeitamente, e com os amigos chineses continuaremos daqui em diante a reagir a isso com um aumento da interação na política, economia, em outras esferas, e coordenar os passos na arena internacional", acrescentou o presidente da Rússia, e referiu o desenvolvimento das relações com a região Ásia-Pacífico.
"Já assinalamos várias vezes a tendência estável da deslocação do centro de gravidade da política e economia mundial da região euroatlântica para a região Ásia-Pacífico. Por isso é preciso continuar desenvolvendo vigorosamente as relações e os laços comerciais e de investimento com os países da região Ásia-Pacífico, nos focando, particularmente, na realização da nossa grande iniciativa para criar uma grande parceria euroasiática", crê o presidente russo.

Preocupações com o Ocidente

Putin também mencionou a questão das relações com os países ocidentais.
"Nos lembramos bem como decorria o alargamento da OTAN para leste [...] Apesar de as relações entre a Rússia e nossos parceiros ocidentais, incluindo os EUA, terem sido bastante excecionais, o nível de relacionamento era quase de aliados, nossas preocupações e advertências acerca do alargamento da OTAN para leste simplesmente foram totalmente ignoradas", observou, e notou o ponto baixo nas relações entre os dois lados.
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"De forma idêntica, se não de forma ainda mais deprimente [que com a União Europeia], está a situação com a Aliança do Atlântico Norte, que evidencia uma disposição evidente para o confronto, e aproxima de forma demonstrativa sua infraestrutura militar das nossas fronteiras", denunciou o presidente da Rússia.
"Mais que isso, a OTAN quebrou por sua própria iniciativa todos os mecanismos de diálogo. Quanto à atividade militar da OTAN ao longo do perímetro das fronteiras russas, nós reagiremos, claro", garantiu.
Apesar das posições divergentes dos EUA e da Rússia, indicou, Moscou está pronta para o diálogo.
"Em muitas questões bilaterais e internacionais nossos interesses, avaliações, posições, sim, elas realmente divergem, frequentemente de forma radical, todos sabem bem disso. No entanto, quero dizer mais uma vez sobre isso: estamos abertos a contatos e à troca de opiniões, ao diálogo construtivo", frisou o alto responsável russo.
A Rússia suspendeu em 1º de novembro o trabalho de sua representação permanente na OTAN em Bruxelas, Bélgica, e também cessou o funcionamento do escritório da Aliança Atlântica em Moscou.

Cooperação na área do coronavírus

Apesar de todas as medidas tomadas, a pandemia da COVID-19 não foi vencida, por isso, nenhum país isolado poderá se fechar dela, é preciso unir esforços em uma base de igual para igual, afirmou Vladimir Putin.
"A pandemia do coronavírus, também teremos de falar disso, não há como fugir dela hoje, perturbou seriamente o curso da vida habitual em todo o mundo", disse.
"Mas algo que queria sublinhar, já não é a primeira vez que falo disso: apesar das medidas tomadas, a pandemia está longe de ser vencida, são prováveis os riscos de disseminação de novas ondas da doença, e nenhum país conseguirá individualmente se vedar delas. Por isso, a Rússia exorta a consertar uma cooperação real na luta com esta doença insidiosa, em uma base igual e justa. Sem isso será impossível obter o sucesso e vencer o vírus", advertiu.
O BRICS é um bloco econômico criado em 2006, composto pela África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia.
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