Presidente do Irã diz estar pronto para retomar conversas nucleares, mas não sob 'coação' ocidental

Ebrahim Raisi apontou as negociações nucleares como "centrais para nosso governo", mas que "não terão sucesso se continuarem sob coação".
Sputnik
Ebrahim Raisi, presidente do Irã, disse no sábado (4) que Teerã está disposta a empreender discussões sobre o acordo nuclear de 2015 com os países participantes para o ressuscitar, mas não sob pressão do Ocidente.
Raisi também sublinhou que o Irã está buscando negociações que levem à flexibilização das sanções dos EUA.
"Afirmei anteriormente que a questão das negociações será, naturalmente, central para nosso governo, mas não com a pressão que eles [os países ocidentais] estão aplicando [contra o Irã]. O diálogo não terá sucesso se continuar sob coação", apontou durante uma entrevista à agência iraniana IRNA.
"As conversações estão na agenda [...] Estamos buscando negociações orientadas a objetivos [...] para que as sanções ao povo iraniano sejam canceladas."
No início de sábado (4), Saeed Khatibzadeh, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, criticou os EUA pelas novas sanções impostas a cidadãos iranianos que Washington alegou serem agentes da inteligência. Khatibzadeh indicou em seu discurso que "os atuais funcionários dos EUA estão seguindo o caminho fracassado da administração anterior".
No total, mais de 1.500 pessoas, empresas, agências governamentais e grupos armados ligados ao Irã já foram sancionados pelos EUA.
No último domingo (29), de acordo com a agência iraniana Mehr, o presidente emitiu uma proclamação selecionando Mohammad Eslami como o novo chefe da Organização de Energia Atômica do Irã.
No mês passado, a França, a Alemanha e o Reino Unido expressaram "grande preocupação" com as avaliações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), indicando que o Irã tinha produzido pela primeira vez urânio metálico enriquecido a 20% de pureza físsil e aumentou sua capacidade de enriquecimento de urânio para 60%.
Estas ações, afirmaram os países, representaram "graves violações dos compromissos do Irã" no âmbito do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), ou acordo nuclear do Irã, que limitou a pureza de refinamento de urânio de Teerã a 3,67%, e criticaram a limitação de acesso para monitoramento da questão pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Por sua vez, o Irã insiste que seu programa nuclear é pacífico, que informou a AIEA sobre suas operações e que qualquer medida contrária ao JCPOA seria revertida se os EUA retornassem ao acordo e retirassem as sanções.
O Reino Unido, a Alemanha, a China, a Rússia, os EUA, a França e o Irã assinaram o JCPOA em 2015, que garante o cancelamento das sanções em troca da limitação do programa nuclear do Irã.
No entanto, sob a então presidência de Donald Trump (2017-2021) os EUA saíram do acordo em 2018 e imporam sanções ao país persa, levando o Irã a começar a contornar gradualmente os termos do acordo em 2019. Apesar de Joe Biden assumir a presidência dos EUA em janeiro de 2021 e retirar algumas sanções, ele também impôs novas restrições às transações com Teerã, sem mudar significativamente a situação. 
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