Moscou espera que armas deixadas pelos EUA no Afeganistão não sejam usadas em potencial guerra civil

Moscou espera que as armas deixadas pelas forças dos EUA no Afeganistão não sejam usadas em uma possível guerra civil no país, disse Zamir Kabulov, representante especial do presidente russo e diretor do Segundo Departamento da Ásia da chancelaria da Rússia.
Sputnik

"Espero que elas vão para os armazéns e não sejam usadas em uma nova guerra civil, que agora terminou no Afeganistão", declarou o diplomata ao canal de TV Rossiya 24, acrescentando que é necessário ter em mente o futuro "destino dessas armas".

Kabulov afirmou também que os países da coalizão da OTAN que fizeram parte da operação no Afeganistão terão que participar da reconstrução do país ressaltando que esta é "uma questão de sua consciência".

"Em primeiro lugar, isto diz respeito àqueles países cujos exércitos estiveram lá durante 20 anos e causaram o que nós estamos vendo. É uma questão de honra e de consciência para estes países corrigir pelo menos alguns dos erros que cometeram", disse.

Kabulov observou que Moscou está preocupada com a situação de segurança e direitos humanos no Afeganistão, mas acredita que "nossos próprios conceitos" culturais de democracia não devem ser impostos às novas autoridades afegãs.

Moscou espera que armas deixadas pelos EUA no Afeganistão não sejam usadas em potencial guerra civil
A Rússia, por sua vez, participará de projetos destinados a restaurar a economia do Afeganistão e está pronta para começar a trabalhar imediatamente, concluiu o diplomata, acrescentando que devem ser tomadas medidas para evitar que a moeda do país se desvalorize, porque o colapso "de qualquer moeda nacional leva a consequências econômicas negativas".

Entre 2002 e 2017 Washington forneceu às forças de segurança afegãs armamento avaliado em U$ 28 bilhões (R$ 145,6 bilhões). Agora teme-se que praticamente todo esse equipamento esteja nas mãos do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em diversos países).

Além disso, existem preocupações de que haja centenas de dispositivos biométricos militares abandonados em bases dos EUA que possam ajudar o grupo a localizar e a visar antigos funcionários de segurança e apoiantes do governo.

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