Pesquisa explica como cobras venenosas desenvolveram presas

Uma equipe de cientistas de vários países realizou um estudo, durante o qual descobriu um mecanismo ligado ao maxilar das serpentes, que pode ter aparecido em 600 espécies venenosas das quase 4.000 existentes hoje.
Sputnik

Cientistas dizem ter descoberto como as serpentes venenosas adquiriram suas presas, escreveu na terça-feira (10) o portal SciTechDaily.

As presas venenosas são dentes chanfrados e maiores do que os outros dentes na boca, podendo se localizar na parte de trás ou da frente da boca e serem fixas ou articuladas. Essas presas estão presentes em cerca de 600 das quase 4.000 espécies de serpentes, refere o SciTechDaily.

"Sempre foi um mistério por que as presas evoluíram tantas vezes em cobras, mas raramente em outros répteis. Nosso estudo responde a isto, mostrando como é fácil para dentes de cobra normais se transformarem em agulhas hipodérmicas", diz o dr. Alessandro Palci, da Universidade de Flinders, Austrália, e autor principal do estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B.

Durante a pesquisa, que foi realizada em conjunto com cientistas de várias universidades, os pesquisadores fizeram observações microscópicas durante horas, usando modelagem de alta tecnologia e fósseis para revelar que as serpentes possuem pequenas dobras, ou rugas, na base dos dentes.

Essas dobras podem ajudar os dentes a se prenderem mais firmemente ao maxilar. Em cobras venenosas, uma dessas rugas se torna mais profunda e se estende até a ponta do dente, produzindo assim uma ranhura para o veneno e um canino.

"Nosso trabalho também destaca o oportunismo e a eficiência da evolução. As rugas que ajudaram a prender os dentes ao maxilar foram redirecionadas para ajudar a injetar veneno", diz o professor Michael Lee, coautor do estudo, da Universidade de Flinders e Museu do Sul da Austrália.

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