Situação no mar Negro é 'artificialmente inflamada' por potências extrarregionais, diz Moscou

A Rússia advertiu contra a deterioração das relações no mar Negro, que diz ser impulsionada por atores sem território adjacente, e exortou ao cumprimento pleno da Convenção de Montreux sobre o regime dos estreitos.
Sputnik

A situação no mar Negro está sendo "artificialmente inflamada" por atores extrarregionais, disse no domingo (25) o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

"Um papel especial a esse respeito pertence à Turquia, que está investida dos direitos de controlar o trânsito de embarcações militares através dos estreitos", disse o ministério, citado pela Sputnik, quando se cumpre o 85º aniversário de implementação da Convenção de Montreux sobre o Regime dos Estreitos.

A entidade indicou que Moscou continuaria monitorando a implementação na prática da Convenção de Montreux, "incluindo na limitação da tonelagem máxima total em trânsito, bem como o limite máximo de tonelagem para navios de guerra de potências não costeiras do mar Negro, e a duração de sua permanência na área aquática do mar Negro".

A Convenção de Montreux foi adotada em 1936 e garante a liberdade de passagem pelos estreitos para navios mercantes de todos os Estados, tanto em tempo de paz como em tempo de guerra. Quanto aos navios de guerra, os de países não adjacentes ao mar Negro não podem permanecer em suas águas mais de 21 dias, e sua tonelagem total não pode exceder 30.000 toneladas.

Os EUA violaram a Convenção de Montreux em algumas ocasiões no passado. Em 2014, o USS Taylor, uma fragata da classe Oliver Hazard Perry, passou 33 dias no mar Negro, após sofrer danos e precisar de reparos. Antes disso, durante a guerra Geórgia-Ossétia do Sul de 2008, o Pentágono testou os limites da convenção através da implantação de uma grande embarcação auxiliar no mar Negro.

Em junho, Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, anunciou a construção do Canal de Istambul, uma hidrovia artificial ambiciosa e polêmica ao nível do mar no valor de US$ 10 bilhões (R$ 52,04 bilhões), cujo objetivo é se tornar uma alternativa ao estreito de Bósforo.

Moscou, no entanto, manifestou a preocupação de que a OTAN poderia usar esse canal para desafiar a Convenção de Montreux e implantar mais navios no mar Negro do que o permitido pelo tratado. Em todo o caso, a Frota do Mar Negro russa garantiu que possui o armamento e os meios técnicos para monitorar e rastrear todos os navios militares estrangeiros que operam na área do mar Negro.

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