Argentina: kirchnerismo lança carta em defesa de calote no FMI

Nesta terça-feira (26), um grupo de personalidades identificadas com o kirchnerismo pediu ao presidente Alberto Fernández para que suspenda o pagamento da dívida externa por conta da pandemia da COVID-19.
Sputnik

Além da suspensão do pagamento das dívidas, o grupo também deseja impor uma série de condições para negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI). 

De acordo com o Clarín, especialistas que acompanham de perto as negociações argentinas com o FMI em Washington destacaram que o documento "mina a credibilidade" de um compromisso que o governo pode firmar.

Martín Guzmán, encarregado das negociações com o fundo, criticou as pautas do grupo e disse que qualquer acordo que possa ser alcançado pode ser "anulado" por "ações internas do kirchnerismo".

O grupo que divulgou a carta, chamada de "Proclamação de 25 de maio", é composto por políticos, atores e jornalistas. O objetivo do documento é dizer para Alberto Fernández como negociar com o FMI.

Eles solicitam que: haja suspensão dos pagamentos de capital e juros ao organismo e ao Clube de Paris devido à pandemia; que os vencimentos sejam renegociados e a sobretaxa de juros seja reduzida; que seja criada uma investigação de funcionários sobre o crédito concedido em 2018.

Argentina: kirchnerismo lança carta em defesa de calote no FMI

A carta chega em um momento delicado para a negociação da dívida. O Clube de Paris, o FMI e Washington, nos EUA, exigem compromissos que a Argentina é temerária em assumir.

O governo Fernández não quer um calote, mas a carta cria pressão política neste sentido, uma vez que o país enfrenta graves consequências econômicas em razão da pandemia.  

No documento, que tem dez páginas, consta: "O país encontra-se em situação de 'estado de necessidade' que impõe os compromissos de dívidas contraídas, principalmente como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros organismos". Em seguida, propõe ao presidente sete pontos básicos para negociação.

O primeiro é "promover a suspensão de dois pagamentos (incluindo) juros para o FMI e o Clube de Paris, enquanto se estender a emergência sanitária".

O documento pede ao governo também para "reprogramar vencimentos com todos os organismos financeiros internacionais", e "investigar a destinação dos recursos do referido empréstimo para identificar os responsáveis ​​pela fuga de capitais".

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