Preparar, apontar: cientistas disparam tardígrados de arma para ver se animal sobrevive ao impacto

Os tardígrados, conhecidos também como ursos d'água, são criaturas minúsculas, com menos de um milímetro de comprimento, e super-resistentes, sobrevivendo a altas e baixas temperaturas.
Sputnik

Os tardígrados podem sobreviver a temperaturas próximas do zero absoluto (-273,15 graus Celsius) e ao calor além do ponto de ebulição da água (100 graus Celsius). Mas essas criaturas resistem ao serem disparadas de uma arma em alta velocidade? Um novo artigo publicado na semana passada na revista científica Astrobiology responde essa questão.

Os cientistas descobriram que sim, os ursos d'água sobrevivem, até certo ponto, a impactos tão rápidos quanto uma bala disparada por uma arma. A pesquisa ajuda os cientistas a compreender que tipo de criaturas sobreviveriam uma viagem pelo espaço a bordo de um asteroide e ao impacto do meteorito contra o solo.

"Nos disparos até, e incluindo, 0,825 quilômetros por segundo, tardígrados intactos foram recuperados após o tiro, mas nos tiros de maior velocidade apenas fragmentos de tardígrados foram recuperados", escreve o portal Science Alert, citando um trecho do artigo.

Ou seja, os ursos d'água sobrevivem a uma velocidade de impacto de 825 metros por segundo, o equivalente a uma pressão de 1,14 gigapascais.

Preparar, apontar: cientistas disparam tardígrados de arma para ver se animal sobrevive ao impacto

Tardígrados pelo espaço

Essas criaturas ditas "indestrutíveis" ganharam grande destaque em 2019, quando uma espaçonave com alguns tardígrados pousou na Lua, gerando especulações sobre a sobrevivência dos tardígrados em nosso satélite natural. Inclusive, foi essa missão espacial, conhecida como Beresheet, que inspirou esta nova pesquisa.

"Fiquei muito curiosa […]. Eu queria saber se eles [os tardígrados] estavam vivos", afirmou Alejandra Traspas, autora principal do estudo, citada pela Science Magazine.

Os resultados sugerem que os ursos d'água no Beresheet provavelmente não sobreviveriam na Lua. A pressão de choque gerada pela estrutura de metal da espaçonave ao atingir a superfície teria sido "bem acima" de 1,14 gigapascais, comenta Traspas. "Podemos confirmar que eles não sobreviveriam".

Dessa forma, a pesquisa impõe novos limites à teoria panspermia, que sugere que algumas formas de vida podem se mover pelo espaço, como passageiros clandestinos em meteoritos depois que um asteroide atinge um planeta ou lua.

Traspas, no entanto, diz que a panspermia não impossível. Os impactos de meteoritos na Terra normalmente chegam a velocidades de mais de 11 quilômetros por segundo, bem acima do limite para a sobrevivência dos tardígrados. No entanto, algumas partes de um meteorito impactando a Terra, ou Marte, experimentariam pressões de choque mais baixas que um tardígrado poderia sobreviver, explica a cientista.

Comentar