Rumo ao Atlântico: comandante americano explica interesses da China na costa ocidental africana

O comandante do Exército dos EUA na África, general Stephen Townsend, alerta para a "ameaça crescente" da China não só nas águas do Pacífico, mas nas do oceano Atlântico.
Sputnik

Em entrevista à agência AP, o general Stephen Townsend afirmou que Pequim busca estabelecer um vasto porto marítimo para abastecer submarinos ou porta-aviões na costa ocidental africana, o que explicaria a aproximação chinesa de Mauritânia e Namíbia. Se tudo ocorrer como planejado, Pequim poderia conseguir estender suas bases militares navais até o Atlântico.

"Os chineses estão procurando um novo lugar para rearmar e consertar navios de guerra, que se tornaria militarmente útil em um conflito", explicou Townsend, citado pela mídia.

Os avisos do comandante do Exército dos EUA na África surgem em um momento de mudança de foco de Washington do Oriente Médio para a região do Indo-Pacífico, devido à contínua expansão da influência econômica e militar chinesa que poderia se tornar o maior desafio à segurança dos EUA, conforme a administração Biden.

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Comandantes norte-americanos, espalhados pelo mundo, confirmam que Pequim está assegurando seu poder econômico em países da África, América do Sul e Oriente Médio, e, de igual modo, busca estabelecer bases militares nos mesmos.

Segundo Townsend, a primeira base militar naval da China no exterior foi construída em Djibuti, no Chifre da África, há vários anos. Desde então, a capacidade chinesa continua aumentando, e atualmente cerca de dois mil militares se encontram nessa base, inclusive centenas de fuzileiros responsáveis pela segurança da instalação.

Relatório do Departamento de Defesa dos EUA de 2020 informa que o gigante asiático poderia vir a considerar adicionar instalações militares para suportar seu poderio naval, aéreo e terrestre em Angola e em outros países. Uma boa razão para o fazer seria a enorme quantidade de petróleo e gás natural liquefeito na África e no Oriente Médio, passando a ser regiões prioritárias para a China nos próximos 15 anos, de acordo com a agência AP.

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Henry Tugendhat, analista político sênior do Instituto dos EUA para a Paz, por sua vez, acredita que os esforços de expansão chineses para a costa atlântica seriam incentivados, maioritariamente, por questões econômicas e não necessariamente militares.

Porém, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, está conduzindo uma revisão global do posicionamento norte-americano, de modo a averiguar se Washington está onde deveria estar no mundo.

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