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TAP anuncia volta de 25 voos semanais entre Portugal e Brasil; veja histórias

Após dois meses e meio, o governo de Portugal finalmente autorizou os voos de ida e volta ao Brasil, a partir desta sexta-feira (16), ainda que apenas para viagens essenciais. A princípio, a medida vale até o fim de abril, quando será reavaliada.
Sputnik

Um despacho publicado no fim da noite desta quinta-feira (15) provocou confusão entre passageiros e as próprias companhias aéreas. Isso porque o documento dizia que estaria em vigor até as 23h59 de domingo (18). O Ministério da Administração Interna (MAI) esclareceu à Sputnik Brasil que na próxima segunda-feira (19), quando começa a terceira fase do plano de desconfinamento, será publicado um novo diploma estendendo a autorização de voos até o final do mês.

Em comunicado enviado à Sputnik Brasil, a TAP anunciou que, durante o mês de abril, prevê operar um total de 25 voos semanais para o Brasil: seis para o Rio de Janeiro (um com partida do Porto), seis para São Paulo, três para Fortaleza, dois para Brasília, dois para Belo Horizonte, dois para Salvador, dois para Recife e dois para Maceió (com escala em Recife). As rotas inversas serão feitas na mesma proporção.

"Com o levantamento da suspensão dos voos com origem ou destino no Brasil e no Reino Unido, a TAP retoma a sua operação, a partir desta sexta-feira [16], garantindo a mobilidade aérea entre Portugal e os dois países", lê-se em um trecho.

Já para o Reino Unido, a companhia espera operar 15 frequências semanais para Londres Heathrow. A TAP ressalta que os bilhetes comprados até 31 de maio, com data de viagem marcada até 31 de dezembro de 2021, beneficiam de uma alteração gratuita. As informações sobre as condições de flexibilidade da alteração das reservas podem ser consultadas no site da empresa.

"Esta possibilidade de alteração oferece mais flexibilidade a todos os passageiros da companhia, permitindo reservar e organizar as suas viagens com confiança", lê-se em outro trecho. 

O painel online do Aeroporto de Lisboa confirmava seis voos da TAP saindo com destino ao Brasil nesta sexta, primeiro dia da liberação: para Salvador, Fortaleza, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Guarulhos (SP). Os voos comerciais entre os dois países estavam suspensos deve 29 de janeiro pelo governo português. Em dois meses e meio, foram autorizados poucos voos excepcionais para repatriamento de cidadãos das duas nações, mas centenas ainda aguardam para voltar para casa.

Na tarde desta sexta, Jorgina Carreira, mãe da carioca Gianne Carreira embarcou no Porto com escala em Lisboa e destino final no Rio de Janeiro. Gianne se mudou com o marido português, e a mãe viajou para ajudá-los com a mudança para Portugal. Jorgina tentava regressar ao Brasil desde 1º de março, mas teve voos cancelados em função das restrições impostas pela pandemia de COVID-19. A passagem original era da Azul, mas ela conseguiu aproveitá-la em um avião da TAP.

"Liguei a semana inteira para a TAP, duas ou três vezes por dia, sempre tentando confirmar e, no final, foi confirmado que o voo sairia", conta Gianne à Sputnik Brasil.

Mas não foi tão simples assim. Após ter feito o check in, Jorgina acabou sendo barrada no voo original no Aeroporto do Porto devido a um erro em seu nome no cartão de embarque.

"Quando foi comprada a passagem, erraram o sobrenome, faltando uma letra apenas. Foi uma correria para tentar ajeitar o nome, a agência conseguiu, foi comunicado à TAP e à Azul, porém, na hora em que ela fez o check in, ela ia embarcar às 14h, viram que o bilhete estava com o nome errado. Por isso, só conseguiu embarcar às 19h", explica.
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Azul confirma três voos semanais entre Campinas e Lisboa

Em nota enviada à Sputnik Brasil, a Azul confirmou o retorno de suas operações para este domingo (18), com três voos semanais entre Campinas e Lisboa, às quartas, sextas e domingos. Segundo a companhia, os voos serão realizados com a maior aeronave da frota, o Airbus A330-900neo, que pode transportar até 298 passageiros. A empresa prevê retomar voos diários a partir de 31 de maio.

Do Brasil para Portugal, brasileiros também tiveram voos confirmados e aguardam ansiosamente para retomar suas vidas em terras lusitanas, algumas paralisadas há dois meses e meio. É o caso do mineiro Samuel Santiago Silva, que já teve cinco voos cancelados desde 31 de janeiro. Ele tenta voltar a Lisboa, onde mora e trabalha em uma empresa de móveis e carpintaria.

"A empresa está sendo consciente e esperando meu retorno para poder continuar a trabalhar. Não me abandonou e até me deu uma carta patronal para eu poder voltar. Mas não estou recebendo", ressalva Santiago Silva.

Ele chegou a ir ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas, na última quarta-feira (14), quando tinha uma passagem para um voo excepcional da Azul. De acordo com ele, apesar de ter uma autorização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), a companhia aérea não o deixou embarcar. Agora, espera pelo voo de domingo. 

"As atendentes alegaram que não podíamos embarcar no voo de repatriamento, mas que no voo comercial não teria problema nenhum irmos. Fiquei aqui em São Paulo, na casa de amigos, para ver se eu resolvia algo aguardando até domingo para viajar. Acabou que saiu essa notícia excelente [da liberação] dos voos comerciais", comemora.
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No entanto, Santiago Silva precisou gastar R$ 800 em dois testes de PCR para poder viajar. Os passageiros que chegam a Portugal por via aérea (com exceção de crianças com menos de 24 meses de idade) têm de apresentar um comprovativo de realização de teste laboratorial RT-PCR à COVID-19, com resultado negativo, realizado 72 horas anteriores ao momento do embarque. Por isso, ele precisou refazer o primeiro. Ambos deram negativo. 

O mesmo aconteceu com o também mineiro François Lima de Miranda. Ele tinha passagem para o voo excepcional da Azul, mas foi impedido de embarcar para Lisboa. Com um detalhe: ele chegou a voar o trecho entre os aeroportos de Confins e Viracopos com a mesma companhia aérea.

"Aqui em Confins, o atendente disse que minha documentação estava toda de acordo, e viajei para Campinas. Lá, funcionários da Azul alegaram que eu não estava autorizado porque não me encaixava no despacho do governo. Mas eu tenho uma autorização do SEF, na qual estava muito bem explicado que eu estou enquadrado no despacho e, mesmo assim, seguiram negando", lamenta Miranda.

Segundo o MAI, são consideradas viagens essenciais aquelas realizadas por motivos profissionais, de estudo, de reunião familiar, por razões de saúde ou por razões humanitárias. Miranda trabalha em uma loja e tenta voltar a Lisboa desde 17 de fevereiro. Teve cinco voos cancelados, além deste no qual não foi autorizado a embarcar. A Azul também remarcou sua passagem para este domingo (18), quando volta a operar comercialmente.

LATAM retoma operações entre Guarulhos e Lisboa no dia 22

Apesar de chegar na segunda (19), quando o comércio reabre na terceira fase do plano de desconfinamento, Miranda terá que esperar duas semanas para voltar a trabalhar. Isso porque os passageiros provenientes do Brasil têm de cumprir um período de isolamento profilático de 14 dias, no domicílio ou em local indicado pelas autoridades de saúde.

"No momento estou em layoff devido às fases de desconfinamento em Portugal, mas a loja em que trabalho abrirá na próxima segunda. Ainda terei que fazer a quarentena obrigatória e consegui que a empresa me deixasse em layoff o resto do mês", diz à Sputnik Brasil.

Apesar disso, Miranda, que está hospedado na casa dos pais em Betim (MG), continua pagando aluguel e todas as outras contas em Lisboa. 

"Não há economia pessoal que aguente. A expectativa está enorme! Já não durmo desde semana passada por causa da ansiedade de ter a minha casa de volta", afirma.
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Questionada pela Sputnik Brasil por que os passageiros não puderam embarcar, a Azul informou que não comenta casos específicos. Em nota, a companhia alega que, nesta semana, cumpriu um voo de repatriamento para levar portugueses e brasileiros de volta a seus países de origem, "seguindo as regras estabelecidas para embarque pelas autoridades de Portugal e do Brasil".

Já a LATAM informou à Sputnik Brasil que já colocou à venda voos entre São Paulo/Guarulhos e Lisboa nos dias 22, 24, 27 e 30 de abril. A companhia ressalta que essas operações podem sofrer alterações a partir de qualquer nova determinação do governo português.

A LATAM reforça ainda que, neste momento, apenas são permitidas viagens essenciais, que cumprem as determinações impostas pela autoridade portuguesa, incluindo o isolamento de 14 dias, sendo obrigatório, antes do embarque, o preenchimento do formulário disponível no site do SEF .

A empresa reitera que os passageiros devem consultar antes de seu voo as constantes atualizações das exigências do país de destino da sua viagem, observando as regras e restrições para o seu embarque. Para auxiliar nessa consulta, a LATAM está atualizando regularmente as informações em seu site.

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