Ex-enviado de Trump a Damasco chama de 'trunfo' para EUA a presença da Al-Qaeda na Síria

O Tahrir al-Sham, grupo ligado à Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países), é a "opção menos ruim" dos EUA e do Ocidente em Idlib, Síria, disse Jim Jeffrey, ex-diplomata dos EUA.
Sputnik

Jim Jeffrey, ex-enviado dos EUA para a Síria, chamou o Tahrir al-Sham, um grupo ligado à Al-Qaeda, anteriormente conhecido como a Frente al-Nusra (todas organizações terroristas proibidas na Rússia e em vários outros países), de "um trunfo" para a atual estratégia dos EUA na Síria.

"Eles são a opção menos ruim das várias opções em Idlib, e Idlib é um dos lugares mais importantes da Síria, que é um dos lugares mais importantes do Oriente Médio", disse Jeffrey na sexta-feira (2) à emissora PBS.

O diplomata, que supervisionou a política da administração de Donald Trump (2017-2021) na Síria até novembro de 2020, quando se aposentou, fez os comentários em um documentário da PBS sobre Abu Muhammad al-Jolani, o ex-comandante da Al-Qaeda, que agora é chefe do Tahrir al-Sham. O documentário estreará em breve na mídia.

Os EUA, bem como seus aliados do Canadá, Reino Unido e Turquia, continuam formalmente designando a Al-Qaeda como uma organização terrorista. Al-Jolani foi designado terrorista pelos EUA em 2013, mas Jim Jeffrey disse à PBS que a designação é "injusta", porque seus laços com a organização pertencem ao passado.

Agora, ele insiste, sua batalha contra o governo de Bashar Assad na Síria, e contra o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) faz dele um aliado dos EUA e do Ocidente em geral.

Grupos terroristas na Síria

Tahrir al-Sham desfruta do controle de uma grande parte de Idlib, província do noroeste da Síria que faz fronteira com a Turquia, que é agora o maior território da Síria ocidental fora do controle de Damasco. A Síria lançou uma ofensiva para libertar Idlib no final de 2019, mas a ofensiva foi interrompida no início de 2020 após uma intervenção da Turquia, com um cessar-fogo formal implementado em março desse ano.

Autoridades e comandantes da Síria, Irã e Rússia têm acusado repetidamente os EUA de usar extremistas jihadistas para tentar derrubar o governo Assad.

Em 2012, a administração de Barack Obama (2009-2017) implementou a Operação Timber Sycamore, um programa classificado de armas e treinamento da Agência de Inteligência dos EUA (CIA, na sigla em inglês) que levou os EUA e seus aliados a enviar milhares de toneladas de armas e bilhões de dólares para "rebeldes sírios moderados", que investigações da mídia revelaram mais tarde serem aliados a jihadistas, incluindo à Frente al-Nusra.

A operação secreta foi encerrada por Trump em 2017, mas as reflexões posteriores do presidente norte-americano sobre uma retirada completa da Síria nunca foram realizadas graças aos esforços de altos funcionários como Jeffrey e outros do Pentágono.

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