Cientistas sugerem nova explicação para o começo da vida na Terra (FOTO)

De acordo com cientistas norte-americanos e britânicos, os impactos de raios poderiam fornecer a quantidade suficiente de compostos fosforosos para suportar as primeiras formas de vida na Terra.
Sputnik

Segundo os resultados de um estudo publicado na revista Nature Communications, para o surgimento da vida na Terra na forma que conhecemos, é preciso de conjunto de elementos primários. Um deles é o fósforo, o componente-chave do DNA, RNA e lipídios de membranas celulares, que deve ser biodisponível, ou seja, estar na forma solúvel a fim de integrar as moléculas orgânicas.

Porém, o fósforo em nosso planeta se encontra em minerais insolúveis, com uma única exceção: o schreibersita, comum em meteoritos. Por isso mesmo, até agora se acreditou que o fósforo prebiótico tinha chegado à Terra em resultado da queda de meteoritos.

Pesquisadores da Universidade de Yale (EUA) e da Universidade de Leeds (Reino Unido) sugeriram uma fonte alternativa de schreibersita (e do fósforo como sua parte constituinte). Ao estudar as estruturas que se formaram em rochas onde ocorreram descargas elétricas atmosféricas, os autores, utilizando técnicas espectroscópicas, encontraram schreibersita em forma de estruturas vítreas.

Cientistas sugerem nova explicação para o começo da vida na Terra (FOTO)
"Este trabalho nos ajudou a entender como a vida poderia ter se formado na Terra e como está se formando em outros planetas parecidos com a Terra. Em parte, tudo começa no fósforo", disse o autor principal do estudo, Benjamin Hess.

Os cientistas fizeram simulações que mostram que, nos bilhões de anos entre a formação da Terra e o aparecimento das primeiras formas orgânicas, os raios poderiam ter produzido fósforo biodisponível suficiente na forma de fosforeto, fosfito e hipofosfito para dar origem às primeiras formas de vida na Terra.

Hoje em dia, na Terra ocorrem cerca de 560 milhões de descargas atmosféricas por ano. Com base na maior atividade elétrica da atmosfera primitiva, os autores estimam que entre um e cinco bilhões de raios ocorressem a cada ano na Terra durante os estágios iniciais, com 100 milhões a um bilhão deles alcançando a Terra. Ao longo de um bilhão de anos, esse número seria gigantesco.

Avaliando a quantidade de schreibersita que poderia ter sido formada em resultado do impacto de um raio, bem como a área dos continentes da Terra antiga, os cientistas obtiveram um resultado entre 110 quilos e 11 toneladas de fósforo reativo por ano. Na sua opinião, isto é, em qualquer caso, mais do que o resultado dos impactos de meteoritos, e o suficiente para suportar as primeiras formas de vida.

Os autores do artigo observam que a hipótese de surgimento do fósforo prebiótico a partir de raios tem muitas vantagens sobre a hipótese de chuvas de meteoritos. Em primeiro lugar, a quantidade de descargas atmosféricas durante bilhões de anos permanece no mesmo nível, enquanto as quedas em massa de meteoritos foram registradas apenas em períodos bastante curtos na história da Terra. Em segundo lugar, os raios são mais comuns nas regiões tropicais, onde se pensa ter ocorrido a origem da vida.

Segundo os pesquisadores, a presença de descargas elétricas na atmosfera pode ser uma indicação importante para a busca de vida em outros planetas.

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