AIEA pede a Irã que explique vestígios nucleares 'encontrados em locais onde não deveriam estar'

Teerã tem reduzido seus compromissos com o acordo nuclear desde que os EUA saíram dele em 2018, e diminuiu nesta semana seus compromissos com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Sputnik

Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), pediu na terça-feira (23) ao Irã que explicasse vestígios de material nuclear encontrados, incluindo urânio, após relatos na sexta-feira (19) de que a organização encontrou restos de urânio não declarados por Teerã.

"Uma série de pontos onde o Irã precisa responder e nos dar respostas: sobre partículas de urânio e outros materiais que foram encontrados em locais onde não deveriam estar", disse Grossi em um seminário Zoom realizado pela Iniciativa Ameaça Nuclear, uma organização sem fins lucrativos sediada em Washington, EUA.

"O processo está em andamento, e por enquanto não produziu resultados positivos. Portanto, esta é uma atividade que continua e eu relatarei sobre isso na próxima semana quando o Conselho dos Governadores da AIEA se reunir para sua sessão de primavera [do Hemisfério Norte]."

Durante a discussão, o diretor da AIEA também mencionou um acordo que ele disse ter sido alcançado entre a organização e Teerã no último fim de semana para permitir o monitoramento contínuo das atividades nucleares do Irã, mas de forma atrasada.

"Este é um sistema que nos permite continuar monitorando e registrar todas as atividades-chave que estão ocorrendo ao longo deste período, para que no final dele possamos recuperar todas estas informações", disse Grossi. "Em outras palavras, saberemos exatamente quantos componentes foram fabricados, exatamente quanto material foi processado, tratado ou enriquecido, e assim por diante".

EUA insistem que Irã coopere com AIEA sem demora

Os EUA pediram ao Irã que cooperasse imediatamente com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o assunto, disse na terça-feira (23) Edward Price, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano.

"Sabemos também que a AIEA continua investigando uma série de questões sérias pendentes relacionadas ao material nuclear potencial não declarado no Irã. Insistimos que o Irã coopere com a AIEA para resolver estas questões sem mais atrasos", apelou.

Desde que Washington abandonou em 2018 o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), com o qual Estados Unidos e outros tentaram a partir de 2015 limitar a atividade de enriquecimento de urânio de Teerã, o Irã tem progressivamente reduzido seus compromissos com o acordo nuclear, e aumentado o enriquecimento de urânio.

Teerã renunciou formalmente na segunda-feira (22) sua adesão voluntária ao Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que estipulava inspeções frequentes pela organização, após a expiração de um prazo estabelecido pelo Parlamento iraniano para que outras partes do acordo nuclear iraniano cumprissem suas obrigações.

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