Arqueólogos podem ter descoberto a primeira moeda dos povos nativos da América do Norte (FOTO)

Índios norte-americanos da tribo Chumash, na atual Califórnia, usavam contas de conchas do mar como moeda há pelo menos dois mil anos, um milênio antes do que se imaginava anteriormente.
Sputnik

A arqueóloga especialista responsável pelo estudo, Lynn Gamble, já sabia que a tribo usava contas de concha como dinheiro há pelo menos 800 anos. Mas, após uma análise profunda das contas, alguns dos registros levaram a arqueóloga a uma descoberta surpreendente: os caçadores-coletores centrados na costa centro-sul da atual Califórnia estavam usando conchas altamente trabalhadas como moeda há dois mil anos. O estudo foi publicado no site da Universidade de Santa Barbara (USA).

Arqueólogos podem ter descoberto a primeira moeda dos povos nativos da América do Norte (FOTO)

Gamble acredita que a qualidade das contas, seus padrões diferenciados e o quão trabalhosas e uniformes podem ser, são uma característica essencial para distinguir as contas utilizadas como dinheiro das meramente decorativas. Além disso, ela realizou uma análise linguística em torno das definições e identificações da palavra "dinheiro" no vocabulário ameríndio.

"Se os Chumash estava usando contas como dinheiro há dois mil anos, isso muda nosso pensamento sobre os caçadores-coletores e a complexidade sociopolítica e econômica. Este pode ser o primeiro exemplo do uso de dinheiro em qualquer parte das Américas neste momento", disse a antropóloga citada no artigo da Universidade. 

Segundo seu artigo publicado no Journal of Anthropological Archaeology, as fontes etno-históricas e etnográficas também documentam que a moeda era usada para facilitar o comércio, ampliar redes sociais, comprar alimentos e objetos, pagar por serviços e dívidas.

Se a hipótese da arqueóloga estiver certa, isso implicaria em uma revisão de algumas ideias comumente aceitas sobre o nível de desenvolvimento econômico da região no geral. Muitos pesquisadores acreditam que nos tempos pré-históricos isso foi privilégio das sociedades agrícolas, sempre consideradas mais sofisticadas, diferentes das sociedades indígenas que mantinham um padrão mais artesanal de convivência e sociedade.

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