Observação mais completa de 3.000 galáxias de projeto de grande escala lança luz sobre seus segredos

Astrônomos do projeto SAMI Galaxy Survey revelaram o relatório final do estudo de mais de três mil galáxias, publicando os resultados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
Sputnik

Durante os sete anos do estudo astronômico de grande escala, os pesquisadores observaram até 13 galáxias simultaneamente utilizando um aparelho especialmente criado para isso – o espectrógrafo multiobjeto de campo integral SAMI, ligado ao telescópio anglo-australiano AAT de quatro metros no observatório de Siding Spring, em Nova Gales do Sul, Austrália.

O método de espectroscopia de campo integral, desenvolvido pelo Centro de Excelência para Astrofísica de Todo o Céu em 3D (ASTRO 3D, na sigla em inglês), utiliza feixes de fibra óptica para captar e analisar faixas ou espectros em vários pontos de cada galáxia, o que permite sondar uma enorme variedade de caraterísticas das galáxias.

Em resultado, os especialistas obtiveram dados espectrais em 3D de 3.068 galáxias.

"A observação de SAMI permitiu ver a verdadeira estrutura interna das galáxias, e os resultados foram surpreendentes", diz o autor principal do estudo Scott Croom, professor da Universidade de Sydney, segundo comunicado do ASTRO 3D. "Identificamos tanto semelhanças como diferenças entre galáxias, aproximamo-nos do entendimento das forças que influenciam o destino das galáxias durante toda sua vida muito longa", continuou.

Durante o estudo, para cada galáxia os autores reconstruíram a mecânica complexa que determina como as galáxias giram, aumentam, aceleram e desaceleram com o tempo, interagem umas com as outras, se agrupam e perecem.

"A natureza de galáxias depende tanto de sua massa como do meio ambiente. Umas podem ficar sozinhas no vazio cósmico, enquanto outras poder estar no centro de aglomerados galácticos. A observação de SAMI mostra como a estrutura interna das galáxias está ligada a sua massa e ao meio envolvente, por isso podemos entender como essas coisas influenciam umas às outras", explicou o professor.

Outro autor do estudo, dr. Matt Owers da Universidade Macquarie (Austrália), adicionou: "A informação detalhada que recolhemos pode nos ajudar a entender questões fundamentais: por que as galáxias possuem aspectos diferentes conforme seu local no Universo; quais processos provocam a formação de novas estrelas e quais a dificultam; por que as estrelas em algumas galáxias se movem em um disco giratório altamente ordenado, enquanto em outras suas órbitas se orientam de maneira aleatória".

Os autores apontam que, apesar de o projeto SAMI Galaxy Survey ter terminado, o estudo continuará através do instrumento Hector, instalado no telescópio AAT no fim de 2020.
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