Gravidade de infecção pela COVID-19 é diferente entre brancos, negros e asiáticos, diz estudo

Pesquisadores por todo o mundo continuam estudando a infinidade de fatores que estão por trás dos diferentes resultados da infecção pela COVID-19 entre as diversas populações.
Sputnik

Os pacientes com COVID-19 de descendência asiática e africana têm sofrido taxas de morte prematura desproporcionais devido à infecção, concluiu um estudo realizado pela Universidade de Londres Queen Mary, Reino Unido.

A equipe de cientistas examinou 1.737 pacientes de forma a analisar os efeitos do SARS-CoV-2 nas populações negras, asiáticas e de minorias étnicas. Os resultados do estudo foram publicados na revista BMJ Open.

Os pesquisadores analisaram dados de todos os pacientes de pelo menos 16 anos infectados com o novo coronavírus, admitidos em cinco hospitais do Serviço Nacional de Saúde britânico entre 1 de janeiro e 13 de maio de 2020. 538 pacientes (31%) eram de origem asiática, 340 (20%) negros, e 707 (40%) brancos, segundo o estudo publicado na revista BMJ Open.

O estudo mostrou que 511 haviam morrido até o 30º dia (29%), e que, apesar de ser conhecido que os idosos morrem mais da doença, os pacientes de minorias étnicas, mais jovens e menos frágeis que os brancos estudados, mostraram maior suscetibilidade à doença.

Os pacientes asiáticos e negros tiveram uma probabilidade 54% e 80% maior, respectivamente, de serem internados em UTI, e de receberem ventilação invasiva, em comparação com os pacientes brancos.

Por sua vez, os pacientes de origem asiática e africana tiveram 49% e 30% maior probabilidade, respectivamente, de morrer da COVID-19, do que os pacientes brancos.

"Nosso estudo mostra o impacto desproporcional da COVID-19 nos grupos negros e asiáticos no primeiro pico [da pandemia em 2020]", disse a dra. Yize Wan, professora da Universidade de Londres Queen Mary.

A importância de responder às disparidades étnicas no impacto da COVID-19 foi sublinhada pela equipe como mais uma questão crítica ao lidar com a pandemia.

"São fundamentais autênticas pesquisas participativas baseadas na comunidade para compreender os motores destas diferenças e a cocriação de soluções, para alcançar a equidade na saúde nestas comunidades", acrescentou a dra. Vanessa Apea, médica consultora em Saúde Sexual e VIH, e professora catedrática na Universidade de Londres Queen Mary.

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