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Brasileiro está mais bem preparado para lidar com fake news em 2020 do que em 2018, afirma analista

O Facebook informou que retirou do ar 140 mil publicações com informações falsas ou deturpadas sobre as eleições municipais deste ano no Brasil.
Sputnik

Em nota nesta segunda-feira (23), citada pela agência Reuters, a empresa disse que os conteúdos violavam a política adotada contra interferência no processo eleitoral com publicações que poderiam desencorajar eleitores a votar.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, disse ser difícil analisar ou mensurar qual é o impacto e a influência que notícias falsas têm no processo eleitoral.

"Nós sabemos que não só fake news, mas também a pós-verdade e as teorias da conspiração formam uma tríade bastante nefasta à democracia", afirmou.

Rodrigo Prando defende que as fakes news acabam sempre tendo uma influência no processo eleitoral, mas acredita que o brasileiro está mais bem preparado para lidar com esse fenômeno em 2020 do que estava em 2018.

"O eleitorado em 2020 está muito mais esperto do que em 2018. Conforme o fenômeno vai se repetindo ele passa a ser melhor compreendido, tanto pelo cidadão quanto pelos especialistas e até mesmo pela Justiça", disse.

Segundo Prando, as instituições estão conseguindo regular melhor o ambiente virtual para diminuir o impacto de informações falsas em período eleitoral.

"A própria Justiça, assim como as empresas e as organizações da sociedade civil começaram a se preparar [para esse fenômeno] e, me parece que aos poucos, essas instituições vão tomando conta desse espaço que antes era só das inverdades e das enganações", explicou.

Outro ponto destacado pelo cientista político é que os candidatos também estão mais bem preparados para lidar com o fenômeno das fakes news.

"Os candidatos estão mais atentos porque se não prestar atenção nas redes sociais, os impactos das fakes news podem colocar por água abaixo toda uma estratégia dos últimos anos", comentou.

Para aprimorar ainda mais as técnicas para diminuir os impactos das fakes news nas eleições, segundo Rodrigo Prando, tem que ser feito um trabalho contínuo.

"Não é se preparar somente em 2022, a Justiça Eleitoral tem que estar preparada e tem que estudar para criar mecanismos constantemente. Não se combate fake news simplesmente com ações pontuais durante o período eleitoral", defendeu.

Para Prando, para um combate amplo das fake news é necessário que haja uma conscientização por parte da população.

"Isso vem de um processo mais amplo de conscientização, de indicar para as pessoas que elas são responsáveis por aquilo que elas divulgam, de explicar quais são as características de uma notícia falsa", completou.

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