Surpreendente: estudo detecta anticorpos em crianças que testaram negativo para SARS-CoV-2

Uma pesquisa examinou o caso de uma família, demonstrando efeitos desfasados com a diferença de idades, com os pais testando positivo, e a filha mais nova não demonstrando qualquer sintoma.
Sputnik

Crianças de uma família em Melbourne, Austrália, desenvolveram anticorpos depois que seus pais os expuseram ao novo coronavírus sem saber, informa o jornal The Age.

Os pais compareceram, sem os três filhos, a um casamento em março de 2020, antes ainda que o vírus tivesse afetado o país. O casal foi infectado, embora sem mostrar sintomas durante alguns dias.

Após trazer o SARS-CoV-2 para casa, surgiram sintomas como tosse, nariz congestionado, febre e dor de cabeça entre os progenitores, obrigando a família a testar para a presença do novo coronavírus. Surpreendentemente, os pais testaram positivo, mas as crianças pareciam estar imunes.

"Foi fantástico, de cair o queixo, porque eles tinham passado uma semana e meia conosco enquanto estávamos com a COVID-19", relatou a mãe, Leila Sawenko, ao canal ABC News.

No entanto, o caso ainda tinha mais surpresas na manga.

Após repetir os testes, as crianças voltaram a apresentar resultado negativo, embora os dois rapazes (com sete e nove anos) apresentassem sintomas leves. Além disso, a criança mais nova, uma menina de cinco anos, mostrou-se sempre assintomática, apesar de dormir frequentemente na mesma cama que seus pais.

Estudo de caso

Com esses resultados únicos, pesquisadores pediram que a família participasse de um estudo, analisando amostras de sangue, saliva, fezes e urina, e realizando testes de reação em cadeia da polimerase (PCR, na sigla em inglês).

Os cientistas então detectaram que as crianças e os pais tinham anticorpos na saliva contra SARS-CoV-2, apesar de as crianças continuarem testando negativo para a presença do novo coronavírus.

"A criança mais nova, que não apresentou quaisquer sintomas, teve a resposta mais forte de anticorpos", informou a imunologista Melanie Neeland em comunicado do Instituto de Pesquisa de Crianças de Murdoch, Austrália.

A comunidade científica ainda não sabe o que pode estar provocando esta conjugação de resultados, mas acredita-se que as crianças podem mesmo ter sido infectadas pelo vírus. Nesse caso, a resposta antiviral foi altamente poderosa, levando a carga de infecção a níveis tão baixos que o teste de PCR foi incapaz de a detectar. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Nature Communications.

A família acabou por se recuperar totalmente do vírus, sem maiores problemas.

Os resultados deste estudo estão em linha com muitos dos estudos desenvolvidos pela comunidade científica desde o início da pandemia, que têm determinado que os mais idosos são mais vulneráveis à COVID-19, enquanto os mais novos parecem estar mais protegidos de seus efeitos.

Anteriormente um estudo também relatou que os testes PCR podem estar detectando partículas mortas do vírus em muitos pacientes saudáveis.

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