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Eletricidade do futuro? Especialistas comentam avanço da energia solar no Brasil e o papel da Huawei

Dona de 30% do mercado de energia solar no Brasil, a chinesa Huawei lança em novembro as baterias elétricas que podem ser associadas com sistemas de geração solar fotovoltaica. Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil falam sobre os efeitos da novidade.
Sputnik

Após se consolidar como uma das principais empresas no mercado de tecnologia 5G, a Huawei quer dar o próximo passo. A gigante chinesa está de olho no cobiçado setor de energia solar, que deve se tornar nos próximos anos, diante da busca internacional por energia limpa e sustentável, o motor das principais economias no mundo.

Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o engenheiro e especialista Rodrigo Lopes Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), afirmou que este é um movimento natural entre as maiores empresas do setor de energia.

Segundo ele, "isso acontece em função dos ganhos de competitividade da energia limpa, e também como uma solução para as questões climáticas e ambientais que o mundo enfrenta. Há uma pressão crescente neste sentido, de consumidores, investidores e governos. Esse movimento é, hoje, uma tendência internacional".

A respeito da participação chinesa no mercado brasileiro, Rodrigo Lopes destacou que a "China hoje é o pais que mais investe em novas tecnologias".

Apesar da chegada da Huawei neste segmento de energia sustentável, o Brasil possui uma trajetória recente quando o assunto é produção de eletricidade limpa.

​Em termos de matriz energética, a solar representa menos de 2% do total da produção brasileira. Atualmente, são cerca de três gigawatts em capacidade instalada em grandes usinas solares, além de cerca de 3,8 gigawatts em sistemas solares em modalidade conhecida como geração distribuída. Isto é, a que envolve a instalação de placas fotovoltaicas em telhados ou terrenos para atender diretamente à demanda de empresas e de consumidores.

De acordo com Rodrigo Lopes, a despeito do assunto ser tratado como uma novidade no Brasil, há questões quem podem ser sublinhadas na trajetória brasileira. "Em 2019 aconteceu uma mudança histórica: a energia solar superou a capacidade das energias eólicas. No mundo, atualmente, a energia fotovoltaica está mais barata em pelo menos dois terços da população mundial, e esse fator já ameaça também as fontes fósseis, como carvão e gás natural".

"Essa virada de competitividade da energia solar, aliada com suas características sustentáveis e ambientais, produz um efeito positivo na fonte, e conferindo-lhe um grande potencial para investidores", afirmou Rodrigo Lopes.

Em sua entrevista, o presidente da ABSOLAR fez elogios ao recente mercado de energia solar brasileiro: "temos um crescimento neste setor apesar da pandemia, um crescimento de 47%, o que mostra a nossa resiliência. A meta do Brasil é estar entre os dez maiores países em energia solar. O Brasil tem total condição de cumprir este papel, mas é preciso correr atrás do atraso", concluiu.

O atraso ao qual o especialista se refere diz respeito também às tecnologias que são lançadas concomitante ao desenvolvimento das fontes de energia limpa. Segundo informações publicadas pela Agência Brasil, a Huawei pretende apresentar em novembro ao mercado brasileiro a bateria Luna 2000, voltada para clientes residenciais. O objeto consiste em um design modular com capacidade de até 30 kwh, com módulos de 5 kwh cada. A Luna 2000 será feita de fosfato de ferro-lítio, normalmente usado em veículos elétricos.

Ainda de acordo com a publicação, a Huawei prevê para primeiro semestre de 2021 o lançamento de baterias para aplicações comerciais, incluindo em grandes usinas de geração centralizada. A empresa chinesa garante que as soluções com o advento das baterias podem, por exemplo, incluir o fornecimento de energia para regiões remotas que não fazem parte do sistema elétrico interligado, como a Amazônia, onde muitas vezes a energia é gerada por usinas térmicas caras e poluentes.

Para o professor da faculdade de engenharia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Allan Cascaes, em conversa com a Sputnik Brasil, "a participação dos chineses é extremamente benéfica. Esse é um mercado em crescimento no Brasil, e a participação da Huawei é uma indicação positiva, um estímulo para que outras empresas também demonstrem interesse".

O professor também destacou em seu argumento a oportunidade que se vislumbra no horizonte para o Brasil: a construção usinas de grande porte, limpas, com investimentos do mercado asiático e da Huawei. A empresa chinesa é dona, atualmente, de 30% do mercado de energia solar no Brasil.

Segundo Allan Cascaes, "com ao lançamento das baterias chinesas, podemos reduzir o custo das plantas de usinas solares. O crescimento das plantas solares vai reduzir a energia gerada por outros meios que não sejam limpos".

O funcionamento do sistema de energia solar fotovoltaica é baseado na utilização de painéis solares que captam a luz e, por meio do efeito fotovoltaico, geram energia elétrica. Com advento e a popularização das baterias, Allan Cascaes garante haverá um crescimento na demanda por energia solar no Brasil.

Segundo ele, "baterias são fundamentais para produção de energia solar. A energia nas residências é mais utilizada a noite, quando não há mais sol. Se conseguirmos armazenar energia nessas baterias, e a um custo mais baixo, será uma grande contribuição para expansão da energia solar no Brasil".

O especialista Rodrigo Lopes Sauaia também falou sobre o assunto das baterias, e pontou que "a energia solar fotovoltaica será cada vez mais versátil para os consumidores. Um exemplo são os veículos elétricos, compatíveis com a energia solar, limpa, renovável e produzida, às vezes, pela própria residência do consumidor", afirmou.

"Imagine, por exemplo, um hospital. Ele não pode ser desligado. Portanto, sistemas de armazenamento de energia solar vão aparecer como ferramentas estratégicas para serem utilizadas em conjunto com a energia elétrica", concluiu.
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